Cultura popular

Zabé da Loca: pifeira partiu deixando legado musical

Artista foi descoberta com 79 anos e ganhou vários prêmios de reconhecimento ao seu trabalho

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Zabé da Loca partiu aos 93 anos. / Divulgação

Isabel Marques da Silva, a Zabé da Loca, era pifeira, tocava pífano, que aprendeu com seu irmão quando ainda criança. Zabé era pernambucana de Buíque, mas foi em Monteiro, no Cariri paraibano, que viveu a maior parte da sua vida e que foi reconhecida como artista. Era conhecida como Zabé da Loca, porque morou mais de 20 anos em uma loca, pequena gruta, na zona rural de Monteiro. E assim a Isabel virou Zabé da Loca. 

Seu talento com o pífano passou a ser divulgado em todo o Brasil em 2003, quando já tinha 79 anos, a partir do Projeto Dom Helder Câmara, do então Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Ainda em 2003, gravou seu primeiro CD chamado Canto do Semi-Árido e passou a se apresentar em vários lugares do Brasil. O trabalho trazia músicas compostas pela própria Zabé e uma versão da música Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Em 2004, apresentou-se no Fórum Cultural Mundial, em São Paulo, ao lado do artista Hermeto Pascoal.

No ano de 2007, Zabé gravou seu segundo CD que nomeou de Bom Todo. E em 2008 conquistou a medalha de Ordem ao Mérito Cultural, do Ministério da Cultura. No ano seguinte, em 2009, foi eleita Artista Revelação, no Prêmio da Música Brasileira. Depois de mais de duas décadas morando na gruta, conquistou uma casa em um assentamento do Incra no processo de Reforma Agrária. Anos mais tarde, Zabé foi morar com a família, e sua casa no assentamento foi transformada em um memorial, a Associação Cultural Zabé da Loca, que funciona até hoje.

Zabé faleceu no dia 05 de agosto, aos 93 anos, de morte natural, mas há alguns anos já vinha lutando contra a doença de alzheimer, na comunidade Santa Catarina, em Monteiro, na Paraíba. Mas sua contribuição musical continuará viva ao som do pife. 

 

Edição: Monyse Ravenna