Alimentos orgânicos

Loja Armazém do Campo, do MST, inicia vendas online neste sábado

Para marcar um ano de vida, produtos agroecológicos poderão ser comprados pelas internet

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Espaço funciona na Alameda Eduardo Prado, 499, no bairro Campos Elíseos em SP / Divulgação

Todo sábado pela manhã, o agricultor Altamir Bastos, gaúcho de 47 anos, sai de São José dos Campos, interior de São Paulo e leva para a capital paulista parte da sua produção de hortaliças. Repolho, couve, alface, rúcula, cenoura e beterraba são alguns dos alimentos que ele e sua companheira Thaís produzem no assentamento Nova Esperança 1, do MST, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. 

Toda essa produção é levada para a Alameda Eduardo Prado, número 499, no bairro Campos Elíseos, endereço do Armazém do Campo, espaço de comercialização de produtos vindos das mãos de assentados da reforma agrária popular pelo país. 

Neste sábado, dia 19 de agosto, o Armazém completa um ano de existência. Altamir comenta que um dos pontos mais positivos do espaço é o fato de os produtores terem o controle sobre os meios de comercialização de seus produtos, o que não acontece quando os alimentos são vendidos para as grandes redes de supermercado. 

"Para qualquer assentado, é um ápice das relações de produção e comercialização. É uma honra, para qualquer assentado, poder fazer com que o seu produto chegue ao consumidor e ainda através de um estabelecimento, como é o Armazém do Campo, que é nosso também. Acho que isso é muito bom", disse o produtor em conversa com a Radioagência Brasil de Fato.

Parte da horta de Altamir e Thaís no assentamento Nova Esperança (Foto: Arquivo Pessoal)

Assim como os alimentos vindos do assentamento no interior de São Paulo, o Armazém do Campo também une a produção de cerca de vinte cooperativas, contabilizando mais de cinco mil famílias de várias partes do país. No local, é possível encontrar alimentos como frutas, verduras, leite e o famoso arroz orgânico, vindo direto do Rio Grande do Sul. 

Recentemente, quem visitou a loja do MST foi o ex-presidente Lula, que esteve no espaço no dia 29 de julho. 

"Eu estou fazendo uma visita aqui e estou maravilhado com o que estou vendo (…) É muito importante comprar produtos orgânicos. Você vai cuidar da sua saúde, da saúde da sua família e você vai ajudar o pequeno produtor rural, da pequena cidade, aquele companheiro que às vezes trabalha feito um desgraçado para fazer um produto bonito e depois não tem preço", defendeu Lula durante a visita. 

Para comemorar um ano, a loja do MST traz uma novidade. Agora, também será possível comprar os produtos que chegam ao Armazém do Campo pela internet. Esse sistema de compras on-line, o e-commerce, é lançado neste sábado. 

Mas a possibilidade de compra on-line não exclui a vontade dos consumidores de irem ao espaço físico do Armazém. Isso porque, além da comercialização da produção agroecológica popular, um dos objetivos da loja é fazer o diálogo com a parte cultural, com músicas, oficinas e lançamentos de livros. 

É o que diz a professora da rede municipal de ensino Luciana Amaral, de 32 anos. Mãe de duas meninas e moradora do bairro Parque Peruche, zona norte da capital, ela frequenta a loja desde a inauguração e vai pelo menos duas vezes por mês no Armazém.

“Acho um espaço muito interessante de sociabilidade, porque você tem um café, que sempre tem alguns salgados gostosos e que você pode conversar com amigos de uma forma tranquila e amistosa. Além do atendimento, que é muito familiar as relações que acontecem ali. Fogem um pouco desse caráter tão mercadológico”, disse a professora.

Mesmo quando não está com amigos aproveitando as apresentações musicais propostas no Armazém, a consumidora conta que vai para comprar alguns produtos. "Também vou por produtos bem específicos. O leite, que eu gosto mais da marca que tem aí, uma cerveja artesanal, o arroz, que é biodinâmico."

Luciana é uma entre as cerca de quatro mil pessoas que passam mensalmente pelo Armazém do Campo. Para quem ainda não conhece o espaço, o Armazém do Campo funciona das 8 às 19 horas da noite de segunda a sexta-feira, e aos sábados das 10 às 19 horas da noite.

Edição: Anelize Moreira