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PR: o que o prefeito de Ponta Grossa tem a ver com o rombo do Mercado da Família?

O "sumiço" de R$ 800 mil já foi objeto de uma Comissão na Câmara de vereadores e também pelo Ministério Público

Brasil de Fato | Ponta Grossa (PR)

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Fazer de conta que o dinheiro não foi parar em algum lugar ainda obscuro é manter a 'caixa preta' na gestão do dinheiro do contribuinte / José Tramontin

Quem diz que Papai Noel só aparece em Natal? A investigação sobre o desvio de mais de 800 mil reais do Mercado da Família de Ponta Grossa - região dos Campos Gerais do Paraná -, até o momento, parece livrar o prefeito municipal Marcelo Rangel (PPS, DEM, PSDB e demais aliados) de qualquer responsabilidade pela gestão do serviço público.

O rombo foi registrado, entre 2013 e 2014, na administração do programa Mercado da Família, mantido pela prefeitura municipal de Ponta Grossa. Na ocasião, constatou-se o "desaparecimento" de cerca de 800 mil reais do dinheiro arrecadado em lojas do mercado, que deveria atender famílias de baixa renda cadastradas junto ao executivo municipal, durante o mandato do atual prefeito (reeleito em 2016), Marcelo Rangel (PPS).

Para entender, vale perguntar… quem afinal escolheu e nomeou secretário, diretor financeiro e demais cargos comissionados direta ou indiretamente envolvidos na má gestão e desvio de dinheiro público da população, se não o próprio chefe do executivo municipal?

Ignorar ou esquecer a ligação e proximidade de tais gestores equivaleria a pensar que os comissionados 'caíram' nas respectivas cadeiras por eventual acaso ou por alguma intervenção divina e não por escolha pessoal, administrativa e política do atual prefeito de Ponta Grossa.

O "sumiço" do dinheiro já foi objeto de uma Comissão na Câmara de vereadores e também pelo Ministério Público. A compreensão de quem acompanha o caso é de que, no mínimo, soa muito estranho o 'esquecimento' de que o chefe, de fato eleito, para administrar a cidade é o prefeito municipal. A expectativa com a denúncia na justiça estadual deve ser feita em breve, espera-se!

A ver, pois. E aguardar os próximos passos. Inegável é que o dinheiro precisa ser devolvido aos cofres públicos. Mas, fazer de conta que o dinheiro não foi parar em algum lugar ainda obscuro é manter a 'caixa preta' na gestão do dinheiro do contribuinte. 

*Sérgio Gadini, professor da Universidade Federal do Paraná (UEPG), membro da Frente de Movimentos Sociais de Ponta Grossa. 

Edição: Ednubia Ghisi