Bens públicos

As privatizações propostas por Michel Temer vão melhorar os serviços?

O economista e professor Luiz Gonzaga Beluzzo responde ao ouvinte

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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A Casa da Moeda é um dos itens da lista de privatização de Temer / Agência Brasil

As privatizações anunciadas em agosto pelo governo Temer envolvem vários setores e já é considerada a maior desde a época do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). Entre as empresas estão a Eletrobras, responsável por mais de 30% da eletricidade do país, a Casa da Moeda, que realiza a emissão de cédulas e moedas, além da Reserva Nacional do Cobre (Renca), na Amazônia.

O pacote também inclui aeroportos e portos do país. Entidades e movimentos sociais tem denunciado as medidas do governo como desmonte da soberania nacional. Diante destas decisões de Temer, uma ouvinte fez pergunta no quadro "Fala Aí" se “as privatizações do governo Temer vão melhorar os serviços?" 

Quem responde é o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e professor de economia da UNICAMP, Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo:

"Alguns setores da economia como eletricidade, petróleo e telecomunicação são importantes na economia por seus efeitos difusores. Por exemplo, a Eletrobras, a Petrobras e a Sidelbras, que também foi privatizada, criaram - pelo desenvolvimento e pelos investimentos que fizeram - um setor de bens de capital no Brasil que hoje está encolhendo. Então, o que eu quero dizer é que as coisas não são simples assim como o governo está querendo apresentar. A experiência da privatização de serviços no mundo inteiro, inclusive no Brasil, foi muito mal sucedida. Vou dar o exemplo a energia elétrica, no Brasil é a mais cara do mundo e isso ocorreu depois da privatização. Isso prejudica os consumidores, prejudica as indústrias que usam energia elétrica e  a própria agência de avaliação do governo disse que, nas condições atuais, provavelmente o custo da energia subiria. Não é difícil você olhar isso, esse sistema elétrico brasileiro, encareceu depois de privatizado, encareceu a energia uma barbaridade.”

Edição: Camila Salmazio