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Informações diárias sobre corrupção deixam perplexa a população brasileira

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Fatos relacionados com corrupção envolvem figurões da República, inclusive o próprio ilegítimo Presidente Michel Temer / Antonio Cruz/ Agência Brasil
Palácio do Planalto parte para a estratégia de que a melhor defesa é o ataque

Leitores, telespectadores e ouvintes recebem diariamente informações das mais variadas sobre fatos relacionados com corrupção envolvendo figurões da República, inclusive o próprio ilegítimo Presidente Michel Temer. Empresários como Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS e J&F são presos temporariamente por cinco dias, podendo receber pena mais ampla, ou seja, de prisão preventiva, acusados de omitirem denúncias, tendo por isso suspensas as regalias iniciais por terem feito delações premiadas.

O Ministro Luis Roberto Barroso autorizou o Supremo Tribunal Federal a  abrir inquérito para apurar denúncia sobre o envolvimento de Michel Temer em corrupção em decreto sobre portos. Barroso viu que os elementos de provas são suficientes para aprofundar a investigação.

Já o ex-procurador Marcello Muller é acusado pela Procuradoria Geral da República de ter feito jogo duplo, ou seja, ao mesmo tempo em que exercia a função de Procurador atuava como advogado da empresa JBS. A acusação é formulada pelo ainda Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

Ao mesmo tempo em que isso acontece, bombeiros do Rio de Janeiro são presos acusados de receberem propina ao concederem alvarás para estabelecimentos. É a rotina que leva os brasileiros a ficarem espantados com tantas notícias e posteriores desdobramentos sobre  figuras do alto escalão em todos os níveis.

A J&F está sendo até investigada em uma Comissão Parlamentar de inquérito no Congresso sobre operações entre o grupo e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sendo escolhido relator nada mais nada que o Deputado Carlos Marun, integrante da tropa de choque do governo federal. Por sinal uma figura ligada também ao ex-deputado e hoje presidiário, Eduardo Cunha.

O Palácio do Planalto parte para a estratégia de que a melhor defesa é o ataque e lança nota, não assinada por Michel Temer, mas pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República rechaçando duramente acusações de envolvimento do Presidente da República com corrupção. Foi a forma encontrada para responder a acusação da Polícia Federal segundo a qual Temer teria recebido mais de 31 milhões de reais de vantagem indevida por participar de organização criminosa juntamente com integrantes da cúpula do PMDB. 

Ao mesmo tempo, o Procurador Geral da República em fim de mandato, Rodrigo Janot declara que, diante das fartas provas de corrupção coletadas pelo Ministério Público, só resta aos investigados tentar "desacreditar" os investigadores. Trocando em miúdos, a guerra verbal está declarada. Raquel Dodge, indicada por Temer, será a substituta de Janot a partir da próxima segunda-feira.  

Enquanto tudo isso, a população brasileira segue impactada com os 51 milhões de reais que se encontravam escondidas em várias malas em um apartamento de Salvador e que resultaram no cancelamento da prisão domiciliar de Geddel Vieira Lima que se encontra agora no presídio da Papuda, em Brasília. Manifestantes chegaram a estourar fogos de artifício em comemoração a prisão do acusado ligadíssimo a Michel Temer, que, segundo noticiário corrente, agora está preocupado com a possibilidade que o seu companheiro de PMDB  venha a abrir o bico em delação premiada.

Figuras da cúpula governamental como Moreira Franco e Eliseu Padilha também estão sendo acusados de participarem de quadrilhas que se beneficiam do dinheiro público. Todos eles fazem declarações públicas se dizendo inocentes. E assim seguem os dias atuais, com figuras vinculadas a Temer já presos como Eduardo Cunha e o ex-ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves.

O bombardeio do noticiário prossegue cada vez mais recheado, mas de um modo geral a mídia comercial conservadora tem dado mais ênfase as acusações do ex-ministro Antonio Palocci contra o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, que agora é apontado por ter recebido propina, junto com o seu ex-chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho, de empresas automobilísticas após Medida Provisória. O noticiário em questão não especifica que a MP foi aprovada pelo Congresso, o que coloca em dúvida o fato de a acusação responsabilizar apenas do ex-presidente e seu Ministro Chefe da Casa Civil.

Assim caminha o Brasil e ao mesmo tempo segue o apoio incondicional do chamado mercado e da mídia comercial conservadora às ditas reformas, com ênfase para a da Previdência, que o projeto do atual governo golpista leva adiante, com o reforço dos jornalões e telejornalões, que revelam diariamente, praticamente  sem questionamentos, uma suposta recuperação da economia. De quebra, jornais como O Globo, enfatizam uma também suposta recuperação da economia argentina com os propalados “acertos da gestão do Presidente Maurício Macri”.

O objetivo de tanta repetição do noticiário econômico é que ela finalmente se transforme em verdade e seja absorvida pelos leitores, telespectadores e ouvintes,  como acontecia na vigência do III Reich nazista.