Eh boi

Os ritmos e as cores do boi-bumbá: festa folclórica é patrimônio brasileiro

Presente em várias regiões do Brasil, a lenda do boi é um convite para brincar e conhecer a história

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Apresentação do grupo Boi-Bumbá Luar do Marco na Semana do Folclore, em Belém (PA) / Lilian Campelo

Uma vez, numa fazenda, a jovem Catirina sentiu desejo de comer um boi. 

Então, Pai Francisco resolveu dar cabo de um desses animais para saciar o desejo da esposa. 

Ahhh, mas o dono da fazenda não gostou nadinha e foi buscar pai Francisco para mandar prender. 

Ele também exigiu que um pajé desse um jeito de ressuscitar o tal do boi. 

E não é que deu certo?! O Pajé fez a sua pajelança e o boi ressuscitou. 

Ehhh boi: Boi-Bumbá, Bumba Meu Boi, Boi Pintadinho, Boi de mamão.

Os nomes e as lendas que narram essa manifestação cultural pode variar dependendo do Estado. A festa folclórica é considerada uma das mais tradicionais do Brasil. 

A manifestação cultural une elementos da tradição africana, indígena e europeia e é considerada patrimônio cultural brasileiro. No festejo do boi, a lenda é encenada de forma dramática e ao mesmo tempo bem-humorada, com músicas, danças e trajes cheios de cor.

Em Belém, no Pará, por exemplo, existem diversos grupos de Boi-Bumbá, que nasceram nas periferias da cidade, como é o caso do Boi-Bumbá Luar do Marco. 

Nilson Rodrigues, coordenador, conta que o grupo nasceu há 15 anos, a partir de uma brincadeira de pessoas da rua onde ele mora. Mas foi a avó dele a maior influenciadora. "A minha avó contava muitas histórias do boi, tem um ano e meio que ela faleceu, então ela me ensinou muitas coisas, absorvi e estou repassando para os brincantes agora", conta. 

Na maioria das regiões, os festejos do boi geralmente acontecem no mês de junho e são associados as festas juninas. Os brincantes do grupo Encantos do Sol, outro grupo da periferia de Belém seguem a toada de boi-bumbá com inspiração no estado do Amazonas, mais especificamente, de Parintins, cidade que abriga a tradicional disputa entre os bois Caprichoso e Garantido. 

Nazaré Costa, de 31 anos, integra o grupo há sete anos e declara seu amor pela expressão: 

"Desde o ano de 2000 que eu danço. Dei uma parada apenas quando tive as minhas filhas e hoje voltei porque amo. Amo a toada, é um mundo mágico, muito bonito.", relata a brincante. 

Em sua Missão de Pesquisas Folclóricas, o poeta modernista, Mário de Andrade registrou a tradição do boi em várias cidades do norte e nordeste, em 1938. Boi de reis, boi de jacá, boi de mourão, em várias regiões do Brasil o boi te convida para brincar e conhecer a história. Ehhh boi! 

Edição: Camila Salmazio