Caruaru

Educadores da reforma agrária debatem legado de Paulo Freire

Encontro buscou reavivar memória, teoria e prática da pedagogia dos oprimidos

Brasil de Fato | Caruaru (PE)

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O encontro reafirma o compromisso do movimento em contribuir para a reinvenção de práticas pedagógicas na luta pela emancipação humana / Arquivo MST

Teve início na última segunda-feira (18.09) e se estende até esta sexta (22.09) o seminário “O legado de Paulo Freire”, organizado nacionalmente pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O encontro aconteceu no Centro de Formação Paulo Freire, em Caruaru, região Agreste de Pernambuco.

Por ocasião dos 20 anos da morte de Paulo Freire, cerca de 400 pessoas, entre militantes, educadores e educadoras da Reforma Agrária de todo o Brasil, reuniram-se com o objetivo de reavivar a memória deste grande pedagogo brasileiro e suas convicções teóricas e práticas, de uma pedagogia crítica de libertação dos oprimidos; além de analisar o contexto educacional brasileiro e os desafios da luta por uma educação pública e popular.

A atividade contou também com a participação de professores e professoras de universidades de diferentes regiões, além de militantes históricos da educação no movimento, que vêm contribuindo com a reflexão sobre a atualidade do legado de Paulo Freire. O estudo é necessário para o enfrentamento aos desafios impostos pelo desmonte dos investimentos públicos na educação, além das medidas do governo golpista que afetam a vida de milhares de famílias de trabalhadores, incluindo as famílias rurais assentadas e acampadas.

Na programação do seminário, a contribuição de Paulo Freire é estudada em suas diferentes dimensões, enfatizando a necessidade de seguir na atuação pedagógica comprometida com a conscientização de trabalhadores e trabalhadoras para que se organizem para construir uma transformação social.

Para Rubneuza Leandro, do Setor de Educação do MST, “os momentos de socializar as práticas de formação política e educação popular que o MST tem implementado nos estados são a maior prova de que os ensinamentos históricos de Paulo Freire permanecem vivos e em movimento, sendo reinventados a cada dia no enfrentamento da realidade”, avalia.

Entre as experiências apresentadas, figuraram as campanhas de alfabetização, a educação de jovens e adultos, a formulação de currículos integrados à agroecologia, a participação democrática na gestão das escolas do campo, as lutas por escolas nos acampamentos e assentamentos, entre outras práticas.

Além dos espaços formativos e de debate, o seminário é também regado por mística e cultura popular.

Na noite da terça-feira (19.09), por exemplo, foi realizada a jornada Paulo Freire Vive, em homenagem aos 96 anos de nascimento do educador, com apresentações artísticas contextualizando os diferentes períodos de sua vida e obra. O encontro reafirma o compromisso do movimento em contribuir para a reinvenção de práticas pedagógicas na luta pela emancipação humana.

Edição: Vinicius Sobreira