Atingidos

MAB faz escracho em frente à sede da Vale no Rio de Janeiro

Militantes denunciam que, após quase dois anos da tragédia em Mariana, atingidos seguem sem qualquer reparação

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Militantes do MAB e do Levante Popular da Juventude caminham pelas ruas do Leblon, no Rio de Janeiro / José Eduardo Bernardes/ Brasil de Fato

Passados exatos um ano e 11 meses desde o trágico rompimento da barragem da empresa Samarco, uma subsidiária das mineradoras Vale e BHP Billiton, na cidade de Mariana, interior de Minas Gerais, os atingidos pela lama de rejeitos e os familiares das 19 vítimas do desastre seguem sem qualquer reparação. Por sua vez, as empresas responsáveis pelo empreendimento seguem sem nenhuma punição. 

Essa foi a denúncia feita na manhã desta segunda-feira (2), por militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que protestaram em frente à sede da Vale no bairro do Leblon, região nobre do Rio de Janeiro. 

Com gritos de “Eles sabiam que ia romper, Samarco, Vale e BHP”, atingidos, movimentos que compõem a Frente Brasil Popular (FBP), como o Levante Popular da Juventude, entre outros; levaram cruzes simbolizando os mortos da tragédia.

 

Joceli Andreoli, da coordenação nacional do MAB, lembrou que a lama destruiu comunidades inteiras, deixando devastação por onde passou e, até o momento, não há perspectivas de uma revitalização do meio ambiente.

"Depois de quase dois anos, continua a impunidade e os atingidos sem nenhuma solução concreta do que vai fazer das suas vidas. O rio Doce continua poluído, destruído, sem nenhuma solução concreta de como vai ser feita a revitalização da Bacia do rio Doce, bem como toda a problemática à beira mar, que contaminou, há quilômetros de distância, o mar", criticou.

O coordenador destaca ainda que a Justiça parece imparcial ao julgar a culpabilidade da Vale no desastre de Mariana (MG). "Estamos aqui pedindo justiça. É um absurdo o papel da Justiça em relação a esse crime, tanto do ponto de vista cível, como do ponto de vista criminal, a Justiça tem se mostrado lenta e, inclusive, suspeita-se que totalmente vinculada aos interesses da empresa", disse.

Durante o ato, atingidos pela lama de rejeitos deram depoimentos sobre a situação da região da Bacia do rio Doce e relataram como os moradores ainda são negligenciados pelas empresas responsáveis pelo desastre.  

Entre as denúncias, está a inoperância da Fundação Renova, instituição fruto do Termo de Transação de Ajustamento de Conduta (TTAC) acordado entre Samarco, Vale e BHP, o governo federal e os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

Camila Brito, militante do MAB no Vale do Aço, em Minas Gerais, explica que os atingidos da bacia, não recebem sequer água potável. 

"A Fundação Renova não consegue fazer um trabalho de recuperação e viemos denunciar todos esse processo, a falta de produção, o modo de vida tradicional que foi alterado, a água de qualidade. Muitos dos atingidos da bacia ainda não bebem água de qualidade, entre outros fatores. O povo vem hoje denunciar, dizer que o povo não vai arredar o pé, questionar de que lado está a justiça, já que ela suspendeu todos os processos contra as empresas na justiça".

O ato em frente à Vale faz parte da programação do 8º Encontro Nacional do MAB, que acontece entre os dias 1º e 5 de outubro, na cidade do Rio de Janeiro, no Terreirão do Samba, na região central. Estão programadas uma série de atividades, entre elas, um ato em frente à Eletrobras, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Edição: Simone Freire