Memória

50 canções para Che Guevara

No dia em que se completam 50 anos da morte do Che, o Soy Loco Por Ti preparou uma seleção de canções em sua homenagem

Uma das mais conhecidas é a canção “Hasta Siempre, Comandante”, composta pelo músico cubano Carlos Puebla. / Reprodução

Nove de outubro de 1967. Há exatos 50 anos Ernesto “Che” Guevara era executado numa pequena escola no povoado de La Higuera, na Bolívia. Morria o homem, nascia o mito.

A força de sua figura e sua brusca morte causaram comoção nos círculos militantes da época e influenciaram nas gerações seguintes,  gerando uma riquíssima obra poética e musical em sua homenagem, que reforça a imagem de herói do argentino-cubano.

Para a data de hoje, o programa de rádio Soy Loco Por Ti preparou para o Brasil de Fato uma seleção de 50 canções em homenagem ao Che, que você pode ouvir aqui.

Uma das mais conhecidas é a canção “Hasta Siempre, Comandante”, composta pelo músico cubano Carlos Puebla, um dos principais cantores da Revolução. “Aquí se queda la clara, la entrañable transparencia, de tu querida presencia, Comandante Che Guevara”, quem não conhece? Além disso, Puebla compôs “Un Nombre”.

Silvio Rodriguez, talvez o maior gênio da música cubana do período pós-revolucionário, também compôs várias canções inspiradas em Che Guevara, como relata num discurso ao receber o título de doutor honoris causa na Argentina.

Mas Silvio adota um estilo distinto ao de Puebla. Ao discurso direto e panfletário deste, Rodriguez impõe seu estilo repleto de metáforas, como em “La era está pariendo un corazón”, sucesso na voz de Omara Portuondo.

Em mais de cinco obras inspiradas ou dedicadas a ele, raramente chega a mencionar o nome do guerrilheiro morto, exceto no título de uma canção: “América, te hablo de Ernesto”, composta em visita ao Chile, quando ao ver um mural com homenagem a diversos próceres da luta revolucionária latino-americana não encontrou a imagem do Che.

Em outra canção diz: “seu nome e sobrenome são fuzil contra fuzil”. E ele explica: “mencionei a conclusão extrema a que havia chegado um homem: que aos fuzis dos opressores, podiam responder os fuzis dos oprimidos”. Outra composição refinada é de Pablo Milanés, compatriota e parceiro de Silvio, que canta “Si el poeta eres tú”. “O que eu posso te cantar Comandante, se o poeta és tu?”

Os grandes nomes da Nueva Canción Chilena também dedicaram canções a Ernesto Guevara. O “cantautor” Victor Jara compôs “Zamba del Che” e “El Aparecido”, que fala da perseguição sofrida pelo guerrilheiro. Além dele, Patricio Manns e os grupos Inti Illimani e Quilapayún também homenagearam Che em suas composições.

Da Venezuela, Ali Primera, cantor e militante de voz marcante compôs “Comandante amigo” e Hacen Mil Hombres. O uruguaio Daniel Viglietti escreveu a “Canción del guerrilero heroico”, gravada numa interpretação emocionante pela cubana Elena Burke.

Da Argentina, terra natal de Ernesto, as lembranças vêm desde o trovador camponês Atahualpa Yupanqui até La Mona Giménez, ídolo do ritmo quarteto.

No Brasil, a vida e morte de Che também gerou homenagens. Gerando Vandré compôs “Che”. Dante Ledesma, argentino radicado no Rio Grande do Sul, compôs “Memorias del Che”.

Na poesia, grandes escritores como Nicolás Guillén (Guitarra en duelo mayor, dedicada ao militar que executou Che), Mario Benedetti (Consternados, rabiosos) e Julio Cortázar (Yo tuve un hermano) também deixaram versos marcantes, alguns deles musicados.

A imagem do homem que lutou e triunfou numa revolução popular armada, mas logo deixou uma possível vida de governante de alto escalão para seguir na luta armada pela libertação dos povos do mundo, o transformou num símbolo do “Homem Novo”, do exemplo de um revolucionário de sua geração, que permanece inspirando até hoje.

Eduardo Galeano chamou Che de “O nascedor”. “Por que será que o Che tem este perigoso costume de seguir sempre renascendo?” Certamente, o “cancionero latinoamericano” contribui para isso.

Edição: Simone Freire