ARGENTINA

Caso Santiago Maldonado: começa a identificação do corpo encontrado no Rio Chubut

Jovem está desaparecido desde agosto após uma ação policial violenta em comunidade uma indígena no sul do país

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Os argentinos têm saído às ruas desde agostovpara denunciar o desaparecimento e exigir a aparição com vida de Santiago Maldonado / Lucía de la Torre | Notas Periodismo Popular

O Corpo Médico Legista da Argentina deu início, nesta sexta-feira (20), à autópsia para determinar se o corpo encontrado no rio Chubut é o de Santiago Maldonado, militante desaparecido desde agosto após uma ação policial violenta em comunidade uma indígena no sul do país.

O corpo chegou ao Instituto Médico Legal (IML) da Suprema Corte de Justiça localizado cidade de Buenos Aires, capital do país, após ser transportado por um avião oficial. No avião, estavam presentes o juiz responsável pelo caso, Gustavo Lleral, e os familiares de Santiago, que declararam, em uma coletiva de imprensa, terem ficado sete horas ao lado do corpo no rio para não correr o risco de que a suposta cena do crime fosse modificada.

O resultado do exame do DNA, uma das provas para confirmar a identidade, será divulgado na próxima semana, depois da eleição para o Senado no país, que acontece no domingo (22). No entanto, não está descartada a possibilidade de que alguma atualização sobre o caso seja divulgada anteriormente.

O exame do corpo será realizado com o apoio da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF), mas também estarão presentes peritos indicados pelas partes interessadas.

A Polícia Nacional também designou um especialista que representará o único incriminado no caso até agora, o sub-tenente Emmanuel Echazú, que teria estado a menos de 70 metros do local onde foi encontrado o corpo.

O caso

No dia 1º de agosto, oficiais da Polícia Nacional Argentina invadiram o território da comunidade mapuche em Cushamen, comunidade rural localizada no estado de Chubut, na região patagônica argentina. Maldonado foi visto pela última vez "enquanto fugia da perseguição da Polícia Nacional". Testemunhas afirmam que ele se encontrava no local no momento em que ocorreu a repressão.

O caso tem recebido atenção dos movimentos de direitos humanos na Argentina, onde 30 mil pessoas desapareceram durante o regime militar (1976-1983). Os argentinos têm saído às ruas para denunciar o desaparecimento e exigir a aparição com vida do rapaz desde que o seu desaparecimento veio à público.

Na quinta-feira (19), as Mães da Praça de Maio realizaram sua tradicional ronda [quando se concentram na Praça de Maio, localizada na capital argentina, Buenos Aires, para exigirem notícias dos seus filhos desaparecidos durante a ditadura] para reivindicar a justiça para o caso de Santiago Maldonado. Políticos e representantes dos movimentos populares e dos direitos humanos estiveram presentes.

Foto: Lucía de la Torre | Notas Periodismo Popular

Edição: Simone Freire | Tradução: Luiza Mançano