Direitos

Afinal, a reforma trabalhista é boa para o empregado ou para o empregador?

Economista do Dieese responde à questão sobre a reforma, que entra em vigor neste sábado (11)

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Com a Reforma Trabalhista, o emprego sem carteira assinada tende a aumentar / Valdecir Galor/SMCS

A reforma trabalhista, que entra em vigor neste sábado (11), ainda gera dúvidas na população. Diversos pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foram modificados pelo governo Temer, com a justificativa de melhorar a relação de trabalho entre patrão e empregado e aumentar os empregos em um país onde a crise se aprofundou após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. 

Desde o início da tramitação da proposta no Congresso, movimentos populares se posicionaram contra a medida e a definem como um ataque aos direitos conquistados. Eles também alertaram sobre a fragilidade das relações de trabalho, após a aplicação das novas regras pelas empresas.  

Entre os principais pontos das mudanças está a autorização para que gestantes atuem em atividades ou locais de trabalho considerados insalubres, ou seja, ambientes que oferecem risco para o desenvolvimento da gravidez. As alterações também permitem que as férias de 30 dias, considerada uma das conquistas do trabalhador, sejam parceladas de acordo com a necessidade da empresa.

A ouvinte Tatiane quer saber sobre as vantagens e desvantagens da reforma e a quem ela serve. Quem responde é Regina Camargos, economista do Departamento Intersindical de Estatísticas Socioeconômicas (Dieese):

"Meu nome Tatiane Ferreira Cosme, eu tenho 28 anos, sou assistente financeiro. A minha dúvida é sobre a reforma trabalhista, se ela vai ser boa para o empregador, para o empregado ou para ambos. O que é vantagem e desvantagem?”

"Oi Tatiane, meu nome é Regina Camargos, sou economista, trabalho no Departamento Intersindical de Estatísticas  e Estudos Socioeconômicas, o Dieese. Na minha opinião, a reforma trabalhista, da forma como ela foi redigida, ela só beneficia os empregadores, ela tem muito poucas, se tiver, vantagem para o empregado, eu desconheço. Ela [a reforma] tenta vender uma ideia de que novos empregos vão ser gerados, que o trabalhador vai poder negociar as suas condições de trabalho de forma mais livre, sem tanta interferência do sindicado e do Estado, e que isso vai trazer mais benefícios, vai dar mais agilidade à negociação para o trabalhador sobre suas condições de trabalho, mas todas as afirmações são muito falaciosas. Primeiro que, para gerar emprego, a gente precisa fazer a economia voltar a crescer e o que faz a economia voltar a crescer é investimento. Reforma trabalhista em lugar nenhum do mundo foi capaz de, por si mesma, gerar emprego. O trabalhador acreditar que ele sozinho tem mais chance de resolver seus problemas no local de trabalho é, sinceramente, de uma inocência que beira a infantilidade, porque a gente sabe que é o trabalhador ser jogado aos leões. Um trabalhador sem a proteção do Estado, no caso a Justiça do Trabalho, e sem a proteção do sindicato ele é um barquinho de papel no oceano, então acho que são dois dos argumentos que os empresários estão utilizando para defender a reforma trabalhista que são completamente falaciosos."

Edição: Camila Salmazio