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Nós nos sentimos mais fortes quando nos juntamos em caravanas

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Ex-presidente Lula realizou caravanas por várias regiões do Brasil este ano para entender as dificuldades atuais dos brasileiros / Ricardo Stuckert
Ficam furiosos quando defendemos nossos direitos

Hoje eu vou falar de palavras usadas há muito tempo no nosso cotidiano.

Uma dessas palavras é grileiro, o sujeito que, usando documentos falsos, se apropria de terras às vezes habitadas por índios ou posseiros.

As pessoas que fazem isso descobriram há muito tempo uma maneira de produzir documentos falsos e fazer que eles pareçam antigos. 

Muitas vezes, com a cumplicidade de autoridades, falsificam documentos de compra da terra, ou até escrituras. Para parecer que o documento é antigo, colocam numa gaveta ou numa caixa fechada com grilos. 

As fezes e a urina dos grilos fazem o papel parecer antigo. Fica amarelado, com buraquinhos pequenos e as beiradas desgastadas. 

Outra palavra é laranja. Não a fruta, mas a pessoa que, muitas vezes sem saber, tem em seu nome, com número de documentos e tudo, propriedades que na verdade são de uma outra pessoa. São empresas que não pagam impostos, roubam empregados e clientes e, se essas mutretas forem descobertas, o “laranja” leva a culpa. Geralmente são pessoas simples e ingênuas, sem acesso à justiça.

Não se sabe bem por que são chamadas de laranjas. Acredita-se que seja porque os safados usam essas pessoas como se fossem a fruta chamada laranja: tiram tudo dela e depois jogam o bagaço fora. 

Bom… Para terminar, de vez em quando vemos ou participamos de alguma caravana Brasil afora.

Chama-se de caravana um comboio de viajantes, mercadores, peregrinos, torcedores ou qualquer tipo de pessoas que se juntam para percorrer grandes distância, muitas vezes por motivo de segurança. 

O termo caravana, de origem persa segundo alguns, e do árabe segundo outros. Os mercadores e viajantes que cruzavam os desertos da África e do Oriente Médio corriam o risco de serem assaltados por bandidos que existiam por lá. Então, viajavam em grandes grupos para evitar assaltos. E esses grandes grupos eram chamados de caravana.

Nós nos sentimos mais fortes quando nos juntamos nessas caravanas. Aliás, tem um ditado caipira segundo o qual “Cateto sozinho é comida de onça”. Temos que nos unir.

E nas nossas caravanas, vemos às vezes um pessoal que, se não é assaltante, gostaria de ser. Pelo menos assaltantes da justiça.

Ficam furiosos quando defendemos nossos direitos. Para eles, lembro um ditado árabe usado quando a gente faz uma coisa legal, coletiva, e uns canalhas nos xingam: “Os cães ladram, e a caravana passa”.

Edição: Camila Salmazio