CONDENAÇÃO

No Rio, população reage ao resultado do julgamento do ex-presidente Lula

Manifestantes que estavam presentes no ato no centro da cidade se disseram perplexos, mas não surpresos com a condenação

Brasil de Fato | Rio de Janeiro

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Na Avenida Rio Branco, no centro da cidade, centenas de pessoas protestaram contra a decisão / Mariana Pitasse

Assim como em diversas cidades do país, o Rio de Janeiro também foi palco de manifestações nesta quarta-feira (24) por conta da divulgação do resultado do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre (RS).

Na Avenida Rio Branco, no centro da cidade, centenas de pessoas protestaram contra a decisão. Em conversa com o Brasil de Fato, algumas das pessoas que estavam presentes no ato se disseram perplexas, mas não surpresas com o resultado.

“Lembrei do impeachment da Dilma: todo mundo sabia o que ia acontecer, mas achamos em um momento que teria alguma salvação que pudesse mudar o resultado. Agora foi a mesma coisa, a gente já sabia como seria esse julgamento mas é tão surreal, como foi o golpe, que ficamos embasbacados”, afirmou a jornalista Jô Hallack, de 47 anos.

O músico e artista de rua Pida Nascimento, de 64 anos, também conta que não esperava outra postura dos desembargadores de Porto Alegre. "Estava tudo armado. Agora é bola para frente, temos que seguir lutando", afirmou, apresentando a intervenção artística "Parlamento Popular", do coletivo Tropa de Palhaços de Quinta, do qual faz parte.

Nela, o coletivo questiona os sucessivos ataques sofridos pela democracia brasileira após o golpe de estado instaurado no Brasil com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.  

Já Fátima Andreia, de 45 anos, do Movimento Negro Unificado (MNU) da Baixada Fluminense, é de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, e foi manifestar sua indignação no centro da cidade.

"Nós nos esforçamos para estar aqui porque a gente acredita que um país sem democracia não tem como ir para frente. Se continuar desse jeito, seremos ainda mais massacrados. Seguimos em luta, sem Lula não tem como ter uma eleição justa neste ano", acrescentou.

A professora Taís Campos, de 55 anos, saiu do trabalho direto para a manifestação. “Eu que sou negra e trago no sangue e na pele toda a injustiça que esse povo sofreu, posso dizer que hoje um projeto de país para os brasileiros não existe porque temos essa elite perversa, sanguinária, cruel, mercenária. Não existe um paralelo com nenhuma nação civilizada, um caso como este, em que se impede a nação de prosperar para todos”, afirmou. 

Ocupa Globo

Durante a tarde desta quarta (24), manifestantes que estavam acampados em frente a uma das sedes da Rede Globo, no Jardim Botânico, no Rio, também realizaram um protesto. Durante o ato, eles entraram no hall do prédio e mancharam de vermelho o letreiro externo e o símbolo da emissora. Além disso também picharam a fachada do edifício com os dizeres: “Globo golpista”.

A ocupação do prédio durou poucos minutos e ninguém saiu ferido. O ato, que marcou o encerramento da ocupação em frente ao edifício, foi um protesto simbólico contra a cobertura do julgamento do ex-presidente feito pela empresa de comunicação, que é avaliada pelos movimentos populares como antidemocrática.

“Essa ação foi para dar resposta a essa farsa do julgamento que vem sendo construída pela grande mídia, principalmente pela Globo. Antes mesmo do resultado do julgamento ter sido emitido, a Globo já dizia que era unanimidade. Em resposta a essa manipulação, fizemos essa ocupação simbólica, sem nenhum ato de violência, sem depredação do patrimônio, para denunciar para a população que essa emissora faz parte do golpe contra a classe trabalhadora que estamos vivendo”, explica Paulo Henrique Campos, do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Segundo Luma Vitório, do Levante Popular da Juventude, a articulação do judiciário, da mídia e do sistema financeiro não será suficiente para barrar a candidatura à Presidência de Lula. "Ele será candidato e sendo candidato será eleito porque o povo sabe que o projeto que querem nos empurrar acaba com os direitos do povo brasileiro. Nós garantiremos isso", disse.

Edição: Simone Freire