2018

Marília Arraes: "Meu nome está colocado à disposição do PT"

Vereadora do Recife pelo PT, advogada e neta de Miguel Arraes, Marília já tem um extenso caminho na política

Brasil de Fato | Recife (PE)

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"Pernambuco vem sofrendo bastante com o desgoverno que estamos passando", afirma a vereadora. / Arthur Marrocos

O nome mais forte entre as pré-candidaturas do PT, Marília Arraes, participou essa semana de toda agenda de protestos e acompanhamento do julgamento do ex-presidente Lula, um de seus principais aliados.

Marília concedeu entrevista ao Brasil de Fato Pernambuco, na Praça Tiradentes, no Recife (PE), enquanto acompanhava junto a militantes de diversas organizações o julgamento de Lula e falou sobre os desafios para Pernambuco e uma possível disputa ao governo estadual

Brasil de Fato: Estamos em um ano de eleição, gostaríamos de ouvir a sua opinião sobre o cenário em Pernambuco?

Marília Arraes: Pernambuco vem sofrendo bastante com o desgoverno que estamos passando, isso é fruto principalmente da falta de liderança política do governador e da total falta de compromisso ideológico em que o Partido Socialista Brasileiro (PSB) mergulhou, tanto aqui no estado no país como um todo. É só observarmos como o PSB ficou em cima do muro na defesa do Presidente Lula, nesse julgamento totalmente parcial a que ele foi submetido. Tudo isso acarreta um governo do estado feito simplesmente jogando para plateia, sem nenhum planejamento e sem nenhum compromisso com transformação efetiva porque não sabe para onde vai. Quando não se tem compromisso e rumo ideológico não se sabe para onde ir. Na segurança pública os índices de Pernambuco envergonham o Brasil e mostram que o governo não sabe como resolver o problema. Sabemos que não se combate as drogas só com repressão, mas também com políticas transversais que um dia funcionaram aqui no estado de Pernambuco e que hoje estão relegadas ao segundo plano. Fora isso temos a questão do abastecimento de água, Pernambuco hoje é um estado que tem sede do sertão até o Recife e isso é principalmente por falta de gestão. Há um descaso e eu diria até que um descaso proposital, para que a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) acabe sendo privatizada.

Podemos dizer que uma das formas de mudar esse cenário são as eleições. O que podemos falar do cenário eleitoral pernambucano em 2018?

Aqui em Pernambuco nós temos campos bastante delimitados. Temos um agrupamento de lideranças e partidos que fazem parte da base do governo Temer (PMDB) e que estão tentando implementar esse projeto aqui no estado e devem sair unidos, apesar de ainda não terem decidido qual vai ser o candidato entre eles e temos o Partido dos Trabalhadores (PT) que desde o início denunciou o golpe e que está apresentando uma candidatura, mas que ainda deve haver uma discussão mais ampla para definir quem vai representar o PT nessas eleições, mas já definiu que vai haver uma candidatura própria do PT. E isso é muito importante para avançar no debate do programa de governo, de procurar construir um campo de alianças que de fato correspondam ideologicamente ao que nós defendemos e tem o PSB que não sabe para onde vai. O PSB procura sempre se aliar, nos últimos tempos, a quem for mais conveniente, independente de identidade ideológica. Vive em Pernambuco um governo desgastado e vê na popularidade do presidente Lula aqui no estado uma chance mínima de diminuir esse desgaste diante da população e ainda por cima de conseguir o tempo de TV do PT que ele vai perder fatalmente com a saída do MDB para o G4 que é a base do governo Temer. Então é assim que o PSB calcula a forma de agir na política e eu acredito que o povo vai se posicionar bem, esse ano nas eleições e eu acho que o PT que representa o projeto que o presidente Lula começou a implementar no Brasil, continuado pela presidenta Dilma. Acho que nós temos tudo para ganhar a eleição este ano.

Muito se fala no seu nome para candidatura ao governo do estado. O que já podemos falar sobre isso?

Meu nome está colocado à disposição. No dia 24 houve o lançamento da pré-candidatura, porque pelo PT ser o partido democrático que é exige que para se registrar uma pré-candidatura haja uma coleta de assinaturas de filiados que apoiam esse registro, então nós fizemos um ato de lançamento da pré-candidatura para iniciar a coleta de assinaturas de apoiamento para iniciar um grande debate no estado para colher opiniões, conversar com especialistas e eu tenho certeza que vai contribuir muito com o projeto do PT, independente de quem seja o candidato ou a candidata. Meu nome está disposição, em algumas pesquisas que estão sendo divulgadas tem despontado bem, até surpreendido porque os outros lados que estão disputando tem uma grande estrutura, tem máquina do governo federal ou do governo estadual e nós estamos com o discurso, falando a língua das pessoas e principalmente representando o desejo de mudar no estado de Pernambuco e isso tem preocupado bastante nossos adversários. Nós temos sofrido investidas grandes mas que só fazem a nossa disposição a disputar o governo do estado aumentar.

Queríamos lhe ouvir sobre a condenação do ex-presidente Lula…

Isso nós já esperávamos e já vínhamos denunciando a parcialidade aqui no Brasil e se instalou quase um estado de exceção. Se um homem que mudou o país como o presidente Lula é julgado dessa maneira imagine o cidadão comum, então nós não podemos aceitar esse expediente, mas tenho certeza que o povo tem consciência que o objetivo maior foi retirar Lula da disputa porque sabe que Lula sendo candidato ganha a eleição e tiraria de pauta toda essa agenda negativa contra o povo brasileiro e está sendo colocado em prática pelo governo golpista.

Edição: Monyse Ravena