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Para além do julgamento, estamos em campo e jogaremos para ganhar

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A condenação de Lula é o desfecho final de um grande golpe que começou a ser organizado ainda em 2005 e que atravessou mais de uma década. / Coletivo de Comunicação do Levante Popular da Juventude
A condenação de Lula é o desfecho final de um grande golpe

Estou como colunista do jornal Brasil de Fato desde junho de 2017. Já se foram algumas dezenas de colunas ao longo dos últimos meses e acho que esta é a mais peculiar delas. Digo isso porque tento escrevê-la durante o julgamento do recurso contra a condenação ao presidente Lula. Ao que tudo indicava, não conseguiria tratar deste tema, afinal, o julgamento ainda não terminou. Mas não consegui evitar o assunto. Vou tratar deste grande espetáculo que está sendo esta votação.

Chamo de espetáculo porque não me vem outra palavra à mente. Na realidade, um grande circo. Este suposto julgamento, mesmo antes do fim, teve os seus passos, do início ao fim, organizados com um único objetivo: reforçar a condenação contra o presidente Lula.

A condenação de Lula é o desfecho final de um grande golpe que começou a ser organizado ainda em 2005 e que atravessou mais de uma década. Confesso que até demorei a pensar o que essa elite, que dominou o país por mais de 500 anos, seria capaz de fazer para retomar por completo o governo federal. E ao que parece, a cada eleição perdida para Lula ou para Dilma, alimentavam ainda mais o ódio e a sede em derrubar um governo eleito nas urnas.

Mas a verdade é que mesmo neste grande acordo entre a direita brasileira, a grande imprensa e vários setores da economia, a popularidade de Lula só faz aumentar. Hoje, Lula lidera quaisquer das pesquisas eleitorais. Com possibilidades reais de vitória ainda no primeiro turno, inclusive.

E é por tudo isso que querem condenar o Lula. Mas seria este o desfecho final do golpe? Para eles sim. Tentar impedir que Lula se candidate às eleições em 2018 é o grande objetivo destes setores, afinal, como apontam as pesquisas, seria muito difícil derrubá-lo no voto. Mas para nós, está longe de ser o fim. Pelo contrário. Particularmente tenho encontrado ânimo nos movimentos organizados, que saíram às ruas em centenas de cidades Brasil afora, e muito na população que não conseguiu sair às ruas, mas conseguiu captar a essência deste grande golpe. Qualquer conversa nas ruas e nas esquinas escancara esta realidade.

2018 já começa difícil. A elite deste país já começa a todo vapor. Mas nós também. Como escrevi na última coluna, não sabemos o resultado final deste jogo. Mas estamos em campo e jogaremos para ganhar. Eles que se cuidem.

Edição: Monyse Ravena