Belo Horizonte

Trabalhadores e usuários cobram segurança e melhores condições nas UPAs

Para sindicato, incidentes de violência têm aumentado nos últimos anos

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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"O trabalhador faz o impossível para melhorar, mas a gente também está adoecendo”, desabafa funcionária / Wallace Oliveira

Na manhã desta terça (30), aconteceram manifestações em oito Unidades de Pronto Atendimento (UPA) da capital, reivindicando segurança e construção de novas UPAs. Os atos são uma iniciativa do Conselho Municipal de Saúde, do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindibel) e do Sindicado dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG). Trabalhadores e usuários se queixam da falta de proteção e de insumos e equipamentos.

Insegurança e precariedade

De acordo com trabalhadores, desde junho de 2017, em BH, já foram registrados 309 episódios de violência envolvendo usuários e funcionários de postos de saúde e UPAs. Estas últimas funcionam sem segurança especializada. Usuários apontam que a situação começou a se agravar em 2016, com a retirada de porteiros das unidades.

“Nas oito UPAs e nas 152 unidades, acontecem agressões físicas, agressões verbais e situações mais graves, como tiroteios, afrontamentos com trabalhadores. Nós entendemos que Kalil pegou um resto de administração do Márcio Lacerda que era um fracasso, sem investimentos. Mas esperamos que a segurança seja um marco para a saúde de Belo Horizonte”, avalia Maria da Glória Abido Capistrano, Secretária-geral do Conselho Municipal de Saúde e representante dos usuários do SUS.

Segundo Israel Arimar, presidente do Sindibel, a falta de segurança é resultado de uma opção política da gestão anterior. “Para reduzir gastos, a Prefeitura, em 2016, demitiu os porteiros, mandou embora os vigias. A presença da Guarda Municipal, por problema de efetivo, passou a ser esporádica. O reflexo disso foi um aumento de incidentes e na gravidade. Passamos a ter furtos em finais de semana e à noite, assaltos, roubo a mão armada. Se alguém ligado ao crime for internado, pode ser que haja um acerto de contas e o usuário e funcionário vão sofrer as consequências”, comenta.

Já a gerente de Urgências e Emergências da Secretaria de Saúde, Susana Rates, acredita que é precipitado dizer que a violência aumentou e aponta que a Prefeitura está tomando medidas para combater o problema. “É recente a implantação do boletim de notificação de violência nas UPAs. A tendência é parecer que aumentou. O que a gente vem fazendo é desenvolver junto à Secretaria de Segurança várias ações, não apenas com a Guarda Municipal, mas também no diagnóstico da violência nas unidades e no entorno, treinamentos para a Guarda sobre o que é uma unidade de saúde e para que nossos trabalhadores enfrentem de forma mais segura conflitos que possam surgir”, explica. Os porteiros das unidades, segundo ela, foram mantidos, mas a segurança de guarda armada privada não.

UPA Norte e outras obras

Um dos locais onde as manifestações ocorreram foi a UPA Norte, no bairro Primeiro de Maio. Nessa unidade, acontecem conflitos recorrentemente. No último dia 23 de dezembro, um usuário quebrou dois computadores por não aceitar a classificação “verde”. Já no dia 17 de janeiro, uma pessoa agrediu uma funcionária com uma cadeira, exigindo refeição. A trabalhadora foi atingida no braço e está afastada com problema ortopédico. Em 2014, no mesmo lugar, três homens feriram a tiros um guarda e uma funcionária da UPA.

Uma trabalhadora que não quis se identificar associou os problemas à falta de proteção e também à situação precária da unidade. “Faltam materiais, insumos, quantidade insuficiente de trabalhadores, falta lençol para forrar cama do paciente, alimentação insuficiente, antibióticos, materiais para trabalhar. Isso tudo gera uma violência muito grande. O trabalhador faz o impossível para melhorar, mas a gente também está adoecendo”, desabafa. 

Há um ano, o prefeito Alexandre Kalil (PHS) fez uma visita à unidade e declarou que a situação era uma “esculhambação”. Um novo prédio deveria ter sido concluído em 2010, em terreno na Avenida Risoleta Neves (via 240), bairro Aarão Reis. De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), a obra está paralisada desde maio 2016, mas o empreendimento é prioridade na atual gestão. “No momento​, ​aguardando a captação do recurso que está em condução pela Secretaria Municipal de Saúde junto ao BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento]”, informou a Sudecap.

​A Superintendência também afirma que retomou as obras do Complexo de Saúde do Barreiro, está investindo na construção de um centro de saúde no Alto Vera Cruz e que tem priorizado também a implantação da UPA Nordeste II, no bairro Ipiranga, paralisada desde 2015. A Sudecap também afirma que 51 centros de saúde foram reformados e outros 84 passam por reformas. 

Edição: Joana Tavares