REDE GLOBO

Cidadania de 15 segundos

"Nossa Constituição foi rasgada pelas mãos daqueles que hoje dão 15 segundos de 'cidadania'”

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Prestes a completar 30 anos, a Constituição Federal estabelece algo até então inédito no país: a garantia de direitos sociais e políticos. / Reprodução

A Rede Globo lançou uma campanha convocando seu público para responder que Brasil deseja no futuro. Para essa emissora (que funciona com concessão pública), não basta ter sido porta voz de generais durante a ditadura militar e apoiar o golpe que colocou Temer e sua corja no governo para atentar contra os nossos direitos. A Rede Globo precisa aparecer como promotora de cidadania, abrindo espaço para que você possa expressar a sua opinião. Mas que cidadania é essa?

Prestes a completar 30 anos, a Constituição Federal estabelece algo até então inédito no país: a garantia de direitos sociais e políticos. Por esse motivo a nossa Constituição é chamada “Constituição Cidadã”. Os direitos sociais como educação, saúde, trabalho, previdência social, lazer, segurança e direitos individuais e coletivos como o direito à vida, liberdade, igualdade e dignidade. No entanto, embora conste na Carta Magna, os meios para a efetivação desses direitos pouco avançaram e basta lançar o olhar sobre a nossa realidade e a extrema desigualdade na nossa sociedade que enxergaremos isso.

É importante termos em mente que algumas palavras possuem um poder muito grande quando o seu sentido é compreendido pela maioria da população. Os poderosos sabem disso e fazem de tudo para deturpar o seu real sentido. Isso ocorre com cidadania e essa campanha é um ótimo exemplo disso. Nesses 30 anos, a classe trabalhadora lutou para a efetivação dos direitos garantidos pela Constituição. Hoje lutamos para não perder o pouco que nos resta.

O fato é que antes de completar 28 anos, lá em 2016, nossa Constituição foi rasgada pelas mãos daqueles que hoje dão 15 segundos de “cidadania”. Aqui não me refiro, somente, à Rede Globo. Me refiro à classe burguesa, aos poderosos que a emissora representa e faz parte. Todos eles, nesse “grande acordo nacional, com supremo, com tudo” que, ironicamente, atentam contra o nosso futuro.

No Brasil que eu quero, a cidadania será um exercício diário, pedagógico e coletivo. A democracia será a vontade da maioria e o fruto do trabalho será de quem trabalha, porque como disse o cangaceiro Corisco, personagem do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol” de Glauber Rocha: Mais fortes são os poderes do povo!

Marcones Oliveira, geógrafo e militante da Consulta Popular

 

Edição: Monyse Ravena