Truculência

Blocos denunciam violência policial no carnaval de BH (MG)

Após registros de abusos em diversos cortejos, grupos lançam manifesto contra ações da PM

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Filhos de Tcha Tcha/Facebook / Bloco Filhos de Tcha Tcha, que desfilou na Região do Barreiro em Belo Horizonte, denuncia truculência policial

Uma carta aberta contra a repressão da Polícia Militar foi assinada por mais de 60 blocos que participaram do carnaval de Belo Horizonte.

De acordo com o manifesto, publicado na última quarta-feira (14), a PM agiu com violência em diversos cortejos, principalmente naqueles que aconteceram na periferia. Um dos casos mais graves foi o do bloco Filhos de Tcha Tcha, que seguia pela Região do Barreiro e passava pela Ocupação Paulo Freire. No final da festa, os policiais teriam usado gás lacrimogênio, bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar os foliões.

"A PM invadiu o final do Bloco Filhos de Tcha Tcha e, sem nenhuma justificativa ou tentativa prévia de diálogo, atacou as pessoas que ali festejavam, incluindo crianças, com tiros de borracha, cassetetes, spray de pimenta e bombas de efeito moral. Muitas pessoas ficaram feridas e duas foram detidas, uma delas na UPA enquanto era atendida", denuncia a nota.

Integrantes do bloco formalizaram, nesta quinta-feira (15), uma denúncia na Promotoria de Justiça de Defesa de Direitos Humanos do Ministério Público contra a ação da polícia.

Mais casos

Além deste episódio, foram relatadas situações de truculência e uso desproporcional da força da PM no Kandandu - Encontro de Blocos Afro, Bloco Arrasta Favela, Bloco da Bicicletinha, Bloco da Praia, Bloco do Peixoto, Bloco Me Beija Que Eu Sou Pagodeiro, Tchanzinho da Zona Norte, entre outros. Um show do músico Marcelo Veronez foi interrompido com violência na Rua Guaicurus, Centro da capital, onde o coletivo Família de Rua - responsável pelo Duelo de MCs - também foi impedido de se apresentar.

A Polícia Militar informou que, até o momento, não foi comunicada oficialmente sobre o manifesto, e que sempre atua na "prevenção de eventos". “A instituição salienta que em quase mil eventos, na capital mineira, não houve destaque para a violência, o que ratifica o trabalho feito, principalmente, pela Polícia Militar devido a sua capilaridade. A PM ressalta que irá sempre atuar em face da prevenção dos eventos - o que foi realizado com eficiência no Carnaval 2018 - todavia, sempre que houver ruptura da ordem pública, agirá no sentido de restaurá-la nos limites previstos pelo uso diferenciado da força e do ordenamento jurídico em vigor”, disse o órgão.

Confira o manifesto na íntegra:

Edição: Raíssa Lopes