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Os surtos da Justiça: enxerga o que não existe, não enxerga nada ou é tendenciosa

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O colunista Mouzar Benedito questiona a tal da "maturidade" da Justiça Brasileira diante de decisões como a condenação do ex-presidente Lula / Pixabay
Às vezes enxerga até demais, às vezes não enxerga nada. Ou é tendenciosa.

Desde a condenação de Lula em Porto Alegre, tenho visto, ouvido e lido comentários sobre o que dizem ser maturidade da Justiça no Brasil.

Muitos jornalistas, políticos e outros que se dizem entendedores do assunto dizem que os magistrados agiram com independência e que não são tendenciosos, tratam todos como iguais. Bom, vamos ver se vão prender também o Jucá, o Renan, o Sarney, o Temer, o Aécio, o Serra…

Aí, sim, vou começar a acreditar que a Justiça é cega. Por enquanto, continuo acreditando que na verdade ela tem surtos de cegueira. Às vezes enxerga até demais, às vezes não enxerga nada.

Ou é tendenciosa.

Getúlio Vargas, quando ditador, dizia: “Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”. Essa tem sido a norma dos poderosos no Brasil. E os responsáveis pelo cumprimento da lei parecem concordar com ela.

Durante a gestão do PT no governo, esperava-se que a lei passasse a funcionar pra todo mundo, mas passou a acontecer algo inédito, uma inversão da justiça que antes só funcionava contra a oposição: só estavam sendo presas pessoas ligadas ao próprio governo do PT.

Oposicionistas, por mais denúncias de corrupção que tivessem, ficavam fora do foco da justiça. 

E de repente, grandes empresários presos… Coisa inédita. E políticos manjados com medo do xilindró. 

Num diálogo gravado pelo deputado Sérgio Machado com Renan Calheiros, disseram que se continuasse assim não escapava ninguém no Congresso. No máximo três parlamentares escapariam.

Aécio Neves seria um dos primeiros a ser pego, segundo Sérgio Machado. Bom… O tempo mostrou que nem todos precisam ter medo. Aécio mesmo, por exemplo, parece estar acima da lei…

E falando em leis e gente acima das leis, selecionei algumas frases sobre o assunto:

Bismarck, estadista alemão, dizia: “Os cidadãos não poderiam dormir tranquilos se soubessem como são feias as salsichas e as leis”.

Dante Alighieri falou: “As leis existem, mas quem as aplica?”.

Bertolt Brecht explicou: “Alguns juízes são absolutamente incorruptíveis. Ninguém consegue induzi-los a fazer justiça”.

O escritor Emílio de Meneses aconselhava: “O meu conceito de justiça é o seguinte: salve-se quem puder”.

Edição: Camila Salmazio