LEÃO DO NORTE

A Revolução Pernambucana de 1817

A partir de 2018, o 6 de março virou feriado estadual em homenagem ao dia que a Revolução desabrochou

Brasil de Fato | Recife (PE)

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A bandeira do estado que até hoje é utilizada oficialmente, foi criada neste momento / Reprodução

O Carnaval enfim passou. Restam hoje com ele, a brilhosa lembrança de um período que deixa todo pernambucano não só saudoso, mas também orgulhoso. Este sentimento vai muito mais além do tamanho do maior bloco e das incontáveis manifestações de arte e cultura inventadas e mantidas por este mesmo povo. A história desse estado com a construção da nossa identidade de brasileiro, de nordestino, e da bravura que isso carrega começou há muitos anos atrás e nomes como Leão do Norte, Barros Lima e Cruz Cabugá significam muito mais do que nomes de ruas, unidades de saúde ou música. Elas são partes importantes de um processo grandioso de luta e resistência do povo pernambucano: a Revolução Pernambucana de 1817.

O medo que a monarquia portuguesa teve da ousadia revolucionária rebate até hoje na nossa insuficiência oral e escrita em tratar este momento. Após 200 anos, Pernambuco decretou dia 6 de março como Data Magna, tornando a data um feriado estadual em homenagem ao dia em que a revolução eclodiu. Para esta data, fica o desafio de não apenas se orgulhar desses dias de construção de uma sociedade baseada na democracia, na cidadania, na liberdade, mas de nos alimentar da força e do fogo que esses lutadores tinham e nos deixaram como marcas de um povo, ao longo da história.

A Revolução Pernambucana atingiu proporções territoriais enormes, com a participação do que hoje é Sergipe, Alagoas, Paraíba e parte do Rio Grande do Norte, sendo maior que muitas revoltas ocorridas na Europa; foi o primeiro movimento que tratava da independência de Portugal e proclamava a República como forma de governo, e o único durante todo o período colonial que conseguiu passar da fase da conspiração, e chegar a uma insurreição.

Naquele momento, aquele povo que já havia expulsado os holandeses de sua terra, decretou que não mais entregariam a riqueza construída neste país para abusos e excessos da Coroa Portuguesa. Apesar ainda da delicadeza que era a definição de quem estava de que lado, afinal já não era mais todo português definido necessariamente como “inimigo”, a questão da identidade com o território e seu desejo de transformação daquele modelo de sociedade, foi definidor para saber quem estava de cada lado: eram chamados de patriotas aqueles que lutavam pela nova nação pernambucana que surgia.

A bandeira do estado que até hoje é utilizada oficialmente, foi criada neste momento. Celebrar a Revolução Pernambucana é homenagear a herança de ousadia e coragem do povo, é celebrar o desejo de cada um e cada uma que naquele momento deu sua vida para lutar pelo seu direito de cultivar seu pedaço de terra, publicar suas ideias, votar em seus representantes. Ao olhar pra nossa história, veremos que muitas vezes outros supostos reis ou coronéis surgiram na história do país, e ainda assim, muitas outras tantas histórias de resistências, revoltas, lutas e revoluções tivemos.

Fica o desafio para que o povo pernambucano se embriague com sua história e permaneça insistindo para se libertar e construir uma nação de projetos de solidariedade e dignidade para as suas e para os seus.

Edição: Monyse Ravena