Orgânicos

Unidade Agroecológica ajuda na recuperação de pacientes do hospital municipal no RJ

Parceria entre MST e prefeitura de Maricá forma agricultores e fortalece agroecologia no contexto urbano

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Parte da colheita de hortaliças da Unidade é doada semanalmente ao Hospital Municipal, creches e escolas / Setor de Comunicação MST

Priorizar os alimentos orgânicos em benefício de pacientes de hospitais e escolas públicas. Esse é o mote de uma iniciativa conjunta entre o MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, e a Prefeitura de Maricá, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, desde 2015. 

Toda semana, parte da colheita de hortaliças feita na Unidade Agroecológica de Maricá é doada ao Hospital Municipal Conde Modesto Legal, além de escolas e creches da cidade. Há semanas em que os agricultores chegam a colher 50 caixas da produção. São couves, alfaces, beterrabas, salsas, rabanetes e cenouras orgânicas e sem agrotóxicos destinados para pacientes em recuperação e estudantes.

Em conversa com o Brasil de Fato, o agrônomo e militante do MST Anderson Oliveira, que integra a equipe da Unidade Agroecológica, comenta a parceria: "Essa forma de trabalhar vem beneficiar toda a comunidade: desde aquele que é agricultor às demais pessoas da população, porque isso vai para o hospital, para a escola, então indiretamente outras famílias também são beneficiadas." Baiano, ele veio para o Rio de Janeiro acompanhar os primeiros passos do projeto e reconhece a sua importância. 

De acordo com a nutricionista Lúcia Duarte, do Hospital Municipal, a alimentação exerce um papel fundamental na recuperação dos pacientes, e o fato de serem alimentos orgânicos colabora ainda mais para o equilíbrio do corpo. 

"Além de fortalecer o sistema imunológico, refeições com nutrientes adequados e equilibrados aceleram a recuperação dos pacientes. Entre os benefícios dos produtos orgânicos está: são produtos sem substâncias químicas, alimentos mais nutritivos, frutas e legumes com mais oxidantes do que os plantados convencionalmente. Sendo assim, temos produtos que danificam menos nossas células." 

Além de beneficiar o Hospital, a Unidade se consolida como um local onde os agricultores podem vivenciar na prática e conhecer outras formas de produzir para além das convencionais.

"Você estabelece uma relação melhor, reconecta os agricultores com a natureza para que eles vejam que é possível produzir um alimento saudável sem precisar utilizar veneno, agrotóxico, adubação química. Se passa uma imagem errada de que só é possível conseguir produtos bonitos, em grande quantidade com a agricultura convencional. E com a unidade demonstrativa agroecológica, eles estão vendo que é possível produzir, mesmo em pequenos espaços, com qualidade e em quantidade", conta o agrônomo. 

Parceria

O movimento doa os alimentos e a Prefeitura fornece os insumos e contrata equipe técnica. Assim como Anderson, os demais técnicos do projeto são formados pelo Pronera, o Programa Nacional de Educação e Reforma Agrária, que passa por uma redução de cerca de 78% em seu investimento de acordo com a previsão orçamentária do governo golpista de Michel Temer (MDB) para este ano. 

Andrea Matheus, do setor de produção do MST, explica que o projeto surgiu de uma iniciativa do então prefeito de Maricá e atual presidente estadual do PT, Washinton Quaquá. O objetivo era dialogar com as experiências produzidas pelo movimento em seus assentamentos e trazê-las para a cidade. 

"Podemos considerar que a importância desse projeto para nós, tanto no MST quanto para o município de Maricá e de uma forma geral para a sociedade, é pautar a produção de alimentos agroecológicos diversificados, garantir que eles sejam distribuídos onde a sociedade possa ter acesso a eles, pautar a importância da agroecologia e da soberania alimentar. E, nesse contexto, reforçar a necessidade da reforma agrária e de superar o modelo do agronegócio", conta.

Até hoje, além do Hospital Municipal, cerca de dez escolas e creches já foram beneficiadas com os alimentos. O município de Maricá também espera o fim das obras de construção do Hospital Ernesto Che Guevara. Com isso, a Unidade Agroecológica, segundo conta Anderson, também passará a fornecer para lá.

Edição: Anelize Moreira