Assassinato

Três anos depois, prefeito não foi julgado pela morte de procurador no Paraná

Leomar Bolzani (PSDB) é acusado de encomendar o assassinato de Algacir Teixeira de Lima em Chopinzinho

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Representantes da ANPM foram à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para obter informações atualizadas sobre o caso / Divulgação ANPM

O assassinato de Algacir Teixeira de Lima, procurador municipal de Chopinzinho, no Sudoeste do Paraná, completa três anos, nesta sexta-feira (16), sem que o mandante do crime tenha sido julgado.

A Polícia Civil e o Ministério Público afirmam que o então prefeito, Leomar Bolzani (PSDB), pagou R$ 6.500,00 para que Darci Lopes de Aquino executasse o procurador à luz do dia, em março de 2015. Darci foi condenado a 16 anos e seis meses de prisão em regime fechado.

“Não foi um assassinato comum”, analisa Raphael Vieira, vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores Municipais (ANPM). “Ele envolve a violação da prerrogativa de um profissional que defende o erário, defende a sociedade. E houve, ainda, requintes de crueldade”.

Algacir foi morto aos 51 anos na manhã de 16 de março de 2015, quando estacionava o carro na garagem do prédio onde morava, na região central de Chopinzinho. As duas filhas do procurador também estavam na garagem naquele momento e testemunharam a morte do pai.

Resta um

Das sete pessoas acusadas de participação no assassinato de Algacir, o ex-prefeito é o único que aguarda julgamento. Leomar Bolzani foi afastado do cargo após o início das investigações, renunciou em maio de 2016 e está em prisão domiciliar.

João Rosa do Nascimento e Jeferson Rosa do Nascimento foram condenados em dezembro de 2017 por ajudar na fuga do assassino e devem cumprir penas de 15 anos em regime fechado e 10 anos em regime semiaberto, respectivamente.

O ex-assessor de Leomar Bolzani, Giovane Baldissera, foi a júri popular ainda em 2015, e acabou condenado a 20 anos de prisão em regime fechado por colaborar no planejamento do assassinato.

Elvi Aparecida Haag Ferreira e o marido dela Nilton Ferreira cumprem pena desde julho de 2016, e devem permanecer mais 12 anos em regime fechado por homicídio qualificado. O casal teria subcontratado Darci Lopes de Aquino para matar o procurador.

Trauma

Logo após o crime, a viúva de Algacir, Maristela Bodanese Teixeira de Lima, acionou a ANPM, que acompanha o caso desde então.

No último dia 6 de março, a Associação encaminhou um requerimento à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para pedir informações sobre o processo contra o ex-prefeito. Em menos de 48 horas, o juiz João Ângelo Bueno, da Comarca de Chopinzinho, enviou a Brasília um relato de oito páginas respondendo aos questionamentos. O conteúdo do ofício entregue à Câmara não pode ser divulgado, porque o processo corre em segredo de justiça.

A reportagem entrou em contato com a ANPM para tentar conversar com Maristela. Porém, a própria assessoria de imprensa alertou para a dificuldade de se extrair qualquer depoimento da viúva, dado o impacto que o acontecimento teve sobre a vida da família.

Raphael Vieira ressalta as ameaças recorrentes sofridas pelos membros da Associação em todo o país, e enaltece o trabalho dos advogados públicos que – como Algacir – não cedem a pressões políticas. “O Ministério Público e o Tribunal de Contas atuam repressivamente, para apagar o incêndio, depois que o estrago foi feito. Enquanto o procurador municipal atua para evitar o incêndio, na primeira fagulha”, compara. “Isso pode gerar um conflito de interesses políticos. A cada dois dias, recebemos um relato de um membro da Associação que está sofrendo algum tipo de assédio ou tentativa de usurpar sua função”, finaliza.

Edição: Ednubia Ghisi