Coluna

É necessário separar o conceito de liberdade de imprensa da liberdade de empresa

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Globo convoca os colunistas de sempre para defender a liberdade de empresa utilizando mal o jornalismo / Roberto Parizotti
O objetivo é defender os interesses patronais e rejeitar o verdadeiro jornalismo

Esta é incrível. Na edição desta quinta-feira (22) do jornal O Globo foi acionado um dos colunistas de sempre para publicar artigo intitulado “Tem dúvida? Ataque a imprensa!” O referido simplesmente mistura as bolas para mais uma vez enganar os incautos e critica o posicionamento de quem denuncia o tipo de cobertura da mídia comercial sobre o assassinato de Marielle Franco. 

O colunista de sempre desta vez parte de uma premissa falsa ao não separar o joio do trigo, ou seja, não distinguir entre liberdade de imprensa com liberdade de empresa. Até porque, os críticos às coberturas das Organizações Globo, não só em relação ao assassinato da vereadora carioca e o motorista, como também a temas econômicos e políticos são feitos  exatamente com o objetivo de mostrar que o jornalismo na verdadeira acepção da palavra não pode seguir os conceitos exigidos pelos proprietários desses veículos de comunicação. Até porque, ao fazer isso, isto é, separar a liberdade de imprensa do de empresa, os críticos tentam exatamente defender a liberdade de imprensa. 

O Globo, por exemplo, faria melhor se contasse a história dos acontecimentos atuais na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde diretores, segundo denunciam as representações dos jornalistas, exigiram que a cobertura do assassinato de Marielle Franco fosse discreta para evitar aproveitamento político partidário da questão. É o temor dos integrantes do governo controlador da EBC. E na empresa, totalmente dominada pelo atual governo, outras exigências vindas da Casa Civil acontecem, demonstrando concretamente que espaços midiáticos como a TV Brasil deixaram de ser públicos, para se tornarem correias de transmissão de um governo rejeitado pela maioria da população brasileira. EBC, portanto, não é mídia pública, mas apenas estatal defensora, por sinal, de conceitos rejeitados pela maioria da população brasileira.

Mas O Globo prefere acionar seus colunistas de sempre para falsamente denunciarem um “ataque a imprensa” e nunca separar o joio do trigo. O objetivo desse acionamento é exatamente continuar defendendo os interesses patronais e rejeitar concretamente o verdadeiro jornalismo, que requer exatamente a difusão de notícias, mesmo que elas contrariem os interesses patronais da família Marinho.

O esquema Globo teme o que informam jornalistas independentes nos blogs e outros espaços midiáticos, porque na prática desmoralizam o conceito da liberdade de empresa, tão fortemente defendido pelos colunistas de sempre.

Mas melhor do que palavras e adjetivos, vale acompanhar o desenrolar dos acontecimentos, para, sem preconceitos de nenhuma espécie, chegar a uma conclusão. 
 
Em termos históricos é mais do que claro que os interesses do patronato midiático comercial defenderam posições que culminaram, por exemplo, com  a morte do então Presidente Getúlio Vargas e com o golpe empresarial militar de 1964, que a própria Globo já fez uma autocrítica, mas que na prática de nada adiantou, pois continuou adotando os mesmo métodos daqueles tempos e que eles consideram liberdade de imprensa e não liberdade de empresa.

E quem tiver dúvidas a esse respeito deve consultar o tipo de noticiário que fazem hoje veículos como O Globo, que acionam colunistas de sempre para defenderem exatamente a liberdade de empresa, confundindo talvez alguns incautos, que muitas vezes se tornam massa de manobra na prática defendendo exatamente estado de exceção, como o atual. 

Nesse sentido, a opinião pública deve ser acionada na verdadeira defesa da liberdade de imprensa, sem misturá-la, como quer a família Marinho, da liberdade de empresa.

Em suma: a defesa da verdadeira liberdade de imprensa é dever de todos e todas que almejam uma verdadeira democracia, e não a que as Organizações Globos querem incutir aos incautos, ou seja, uma democracia para os defensores do capital e do mercado.

Edição: Brasil de Fato RJ