Coluna

Pirotecnia de Temer com a intervenção federal militar não resiste aos fatos

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O show armado para promover a intervenção militar como solução para o Rio de Janeiro está caindo por terra / Marcos Corrêa/PR
A medida adotada não foi planejada com antecedência e a violência urbana aumento

Os últimos acontecimentos no Rio de Janeiro revelam que o show de pirotecnia do governo com a intervenção federal militar não decolou. Tudo tem demonstrado que a medida adotada não foi planejada com antecedência e a violência urbana aumentou. Diariamente a população é informada sobre morte de inocentes durante confrontos entre as forças de segurança a bandidagem. Em um só momento se dá ênfase a necessidade da adoção de medidas na área social, ou seja, as populações pobres do Rio de Janeiro não são contempladas por medidas que a curto, médio e longo prazo poderiam ajudá-las em pelo menos melhorar a situação.

Enquanto isso, jornalões e telejornalões, sobretudo das organizações Globo, seguem em sua rotina noticiosa tentando claramente despolitizar os acontecimentos. E, claro, não se pode, por mais que queiram, esconder as forças retrógradas, deixar de demonstrar que  a situação de deterioração no Rio de Janeiro se deve basicamente a um tipo de política que vem sendo adotada no pais pelo atual governo. É óbvio mencionar esses fatos, mas a questão é que o óbvio deixa de ser óbvio, entre outras coisas devido ao apoio ostensivo que a mídia comercial dá às medidas que estão sendo adotadas pelo governo de Michel Temer para satisfazer o mundo das finanças.

Diariamente os tais colunistas de sempre são acionados para afirmar com toda a pompa que o Brasil está se recuperando etc e tal. Mas a realidade fala mais alto do que  manipulação da informação. O Rio de Janeiro e outros Estados da Federação são a prova cabal segundo a qual o país não está encontrando o caminho certo para sepultar as desigualdades. Muito pelo contrário, elas estão se ampliando.

Mas o governo apresenta como fórmula para enfrentar a situação uma intervenção federal militar sem planejamento e feita apenas com o objetivo de fazer com que o presidente Temer se recupere diante da opinião pública. Só que, vale sempre repetir, a realidade está a falar bem mais alto. Em pouco mais de um mês a intervenção demonstrou que tudo não passa de uma jogada de marketing, por sinal, mal planejada e até com falta de verbas. Mas Temer não está nem aí e ainda decide aparecer no Rio de Janeiro para enganar o que resta dos incautos.
 
Enquanto isso, o atual ocupante do Palácio do Planalto segue tentando enganar os incautos e anda até falando em se candidatar na eleição presidencial marcada para 7 de outubro. Temer imagina que lida com uma população imbecilizada. O lesa-pátria e seus seguidores governamentais andam dizendo que a opinião pública em algum momento reconhecerá a importância das reformas trabalhista e até mesmo a contenção de gastos públicos, nas áreas da saúde, educação e segurança.

Ao mesmo tempo que isso acontece o governo useiro e vezeiro em fazer concessões ao capital, tenta também montar o esquema de privatizar as áreas da água. O lesa-pátria Temer já andou conversando com dirigentes da Nestlé no sentido de ceder à empresa o aquífero Guarani e assim vai. Tudo isso faz parte do esquema golpista de entregar de mão beijada às multinacionais o que ainda resta no país em matéria de riqueza. Temer veio para isso e está cumprindo cada vez mais a sua parte com o apoio da tal base aliada.

É por aí que devem ser analisados os fatos atuais que ocorrem no Rio de Janeiro, onde depois de pouco mais de uma semana do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes as autoridades demonstram  estar perdidas no esclarecimento do brutal crime. O Ministro  Raul Jungmann andou afirmando fatos, como a  origem das balas utilizadas, posteriormente desmentidos. E assim segue o noticiário em torno da ocorrência.

Ao mesmo tempo, a tal desembargadora Marília Castro Neves e o deputado do DEM do Distrito Federal, Alberto Fraga, seguem impunes depois de divulgarem informações imaginárias  com o objetivo de queimar a imagem da parlamentar assassinada. Castro Neves é realmente um retrato da justiça brasileira e o parlamentar integrante da base aliada de Temer dá também a ideia do que são os integrantes do grupo de apoiadores da base aliada do governo Temer.

Resta aguardar o que será decidido em relação aos dois mencionados. Diante da gravidade do caso, não adianta apenas uma repreensão É preciso todo rigor para servir de exemplo a  outros grupos que atuam nas redes sociais divulgando mentiras de toda espécie e que bateram recorde em matéria de perversidade no caso de Marielle Franco. Em outras palavras: não se pode aceitar passivamente a impunidade de Marília Castro Neves e Alberto Fraga.


Edição: Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)