Agroecologia

Terceira edição da Feira Nacional da Reforma Agrária, do MST, chega a SP em maio

Evento irá reunir meios urbano e rural com alimentos orgânicos e cultura popular; lançamento acontece dia 6 de abril

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Segunda edição da Feira aconteceu em 2017 e reuniu 170 mil pessoas na capital paulista / Rica Retamal/BdF

Daqui a pouco mais de um mês, o centro urbano de São Paulo abrigará, pela terceira vez, a Feira Nacional da Reforma Agrária organizada pelo MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Entre os dias 3 e 6 de maio, o Parque da Água Branca, localizado na Barra Funda, zona Oeste da cidade, reunirá agricultoras e agricultores de todo o Brasil que trazem seus alimentos saudáveis, além de atividades culturais. 

A procura dos assentados de todo o país para participar da terceira edição da Feira tem sido grande, segundo conta a organização. É o caso de Domingas Farias dos Santos, de 47 anos, agricultora do MST no Assentamento Paulo Freire, localizado no município de Macurí, extremo sul da Bahia, e uma das coordenadoras do movimento na região. 

"Levamos diversidade de produtos da Bahia, porque o estado é muito grande e tem uma diversidade de produtos - desde a região do semiárido até a Mata Atlântica", detalha.

Domingas tem três filhos e é assentada da reforma agrária há 19 anos. Hoje, vive na região baiana da Chapada Diamantina. Ela se prepara para participar da culinária da terra, espaço na Feira que conta com tendas de comidas típicas de todos os estados brasileiros. 

"Aqui no nosso grupo, montamos uma cozinha com as comidas típicas, os pratos principais da Bahia: acarajé, vatapá, caruru, moqueca", conta. Sobre a importância do evento, destaca: "Para nós, sair dos nossos estados, dos nossos municípios do interior para levar os produtos para um centro urbano como São Paulo é importante, porque a gente sai do nosso reduto e levamos produtos para outras pessoas que não os conhecem outras que já conhecem, já são fregueses desde a primeira edição da feira." 

De acordo com Ana Chã, do Setor de Cultura do MST, os desafios para essa terceira edição são conseguir alcançar ainda mais pessoas, de diferentes localidades de São Paulo, e trazer cada vez mais produtos dos assentamentos. Na última edição, a Feira contou com 170 mil pessoas, 280 toneladas de alimentos saudáveis e a participação de agricultores de todos os estados do país. A expectativa é grande. 

"A Feira da Reforma Agrária tem se caracterizado por ser esse grande espaço entre o mundo rural e o mundo urbano. Nesse sentido, tem a apresentação de uma proposta de reforma agrária que passa necessariamente pela produção de alimentos saudáveis, mas passa também pela construção de novas relações, do contato direto entre quem produz e quem consome", explica Ana. 

Para Domingas, o evento é uma grande oportunidade de dialogar com a população e mostrar os frutos daquilo que mais lhe rende orgulho: a luta pela reforma agrária popular das terras brasileiras. 

“A gente fala da reforma agrária com muito orgulho, de poder utilizar a terra para aquilo que ela foi destinada: prover alimento saudável para nós e para a população. Acho que é importante, quando a gente fala da reforma agrária, e junto vem junto com a terra outras conquistas: a educação, a saúde. Falar de ser assentada, para mim, é um orgulho muito grande”, comenta a agricultora. 

No dia 6 de abril, acontece o lançamento da terceira edição da Feira Nacional da Reforma Agrária no Armazém do Campo, espaço de comercialização desses produtos. Há quase dois anos na capital paulista, a loja fica na Alameda Eduardo Prado, número 499,  no bairro Campos Elíseos. A militante do MST deixa o convite: 

"Convidamos a todos para que possam se somar também neste ato político cultural onde teremos algumas falas de lançamento da feira, mas também teremos muita música e comida boa. A mesa é sempre farta e de comida saudável —  esse é o debate que a gente quer trazer para o centro da cidade: que a reforma agrária é a única forma que a gente tem, hoje, de trazer alimentos saudáveis sem uso de agrotóxicos, sem exploração dos seres humanos e da natureza." 

Quem mora em São Paulo (SP) ou Belo Horizonte (MG) e quiser adquirir estes alimentos da reforma agrária, antes ou depois da feira, pode visitar o Armazém do Campo durante a semana. As lojas ficam abertas de segunda a sábado em ambas capitais. 

Edição: Mauro Ramos