Mídia

Franklin Martins: "O fim dos oligopólios de comunicação é decisivo para a democracia"

Ex-secretário participou de ato político no primeiro dia da Conferência de Comunicação do PT, nesta sexta (13)

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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A presidenta do PT, Gleisi Hoffmann (esq.), e Renata Mielli, do FNDC / Divulgação

O debate sobre o protagonismo da comunicação para a manutenção da democracia e no enfrentamento do golpe no Brasil permeou o primeiro dia de debates da Conferência Nacional "Vencer a batalha da comunicação", organizada pelo Partido dos Trabalhadores, nesta sexta-feira (13), em São Paulo (SP).

Em tom de autocrítica, o jornalista Franklin Martins fez uma avaliação da atuação da gestão petista no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), durante o qual foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom).

"Nestes tempos de golpe, discutir a comunicação é fundamental. Os partidos dos governos democráticos e populares têm uma dívida muito grande com a questão da comunicação. Fizeram muito menos do que deveriam ter feito", lamentou.

Diante de dirigentes políticos, de movimentos populares e sindicais, além de uma plateia de cerca de 300 comunicadoras e comunicadores de diversas partes do país, Martins também lembrou que romper com esta tradição e enfrentar o debate da democratização não é uma tarefa fácil, uma vez que "o oligopólio está naturalizado no Brasil". 

Desta forma, considerando que as grandes empresas de mídia brasileiras organizaram, mobilizaram, dirigiram e deram narrativa ao golpe que tirou a presidenta Dilma Rousseff da Presidência da República e culminou na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se faz necessário, segundo Martins, levar à prática a ideia de que "o fim dos oligopólios é decisivo para a democracia do país". 

"Não da pra continuar tratando a comunicação como uma questão periférica", frisou.

A presidenta Nacional do PT, Gleisi Hoffman, também participou do ato político. Ela frisou ter sido Lula um dos principais provocadores para que a comunicação voltasse a ser discutida de forma estratégica dentro do partido. 

Além disso, a senadora recapitulou os processos de disputa no Judiciário e mídia que, mesmo sem provas, permitiu a prisão do ex-presidente Lula. "Nunca foi tão importante a gente ter uma comunicação eficiente para fazer a disputa da narrativa, para fazer a disputa da versão, e levar ao povo brasileiro o que a gente tem feito", disse.

Juliano Medeiros, presidente nacional PSol; Walter Sorentino, vice-presidente nacional do PCdoB; Bia Barbosa, do Intervozes, Renata Mieli, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC); Nalu Farias, da Marcha Mundial de Mulheres (MM); Antonio Carlos, da direção nacional do PCO, e Roni Barbosa, secretário de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) também participaram da atividade.

Disputa contínua

Como possíveis caminhos para fortalecer o papel estratégico da comunicação nas disputas das narrativas, Roni Barbosa apontou para a necessidade da unidade. 

"Nós não nos reuníamos para falar sobre estratégia de comunicação. Nós precisamos dar um salto, ter credibilidade e temos condição de ter isso, e trabalhar em rede", disse.

Já Renata Mieli frisou a importância de mudar a ideia do que é comunicação e seus potenciais não só na compreensão dos governos populares, mas para a sociedade como um todo, que a entende apenas como entretenimento. "A gente não discute comunicação como um direito", lembrou.

Edição: Diego Sartorato