MINAS GERAIS

Terreiro cultural abre jornada da UFJF (MG) em defesa da reforma agrária

Evento do MST envolveu estudantes e trabalhadores rurais em assentamento na Zona da Mata

Juiz de Fora

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O projeto “Doa Som” abriu a 5ª Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA) / Dowglas Silva/MST

Tornar a arte e a cultura popular como um instrumento de humanização e solidariedade entre o povo do campo. Essa foi uma das propostas do Terreiro Cultural Walmir Pulga, realizado sábado (5) no Assentamento Dênis Gonçalves em Goianá, município localizado na zona da mata. A segunda edição do evento cultural lançou o projeto “Doa Som” e abriu a 5ª Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA), organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

O dia de atividades começou cedo no assentamento, que recebeu um grupo de estudantes da UFJF, participantes da JURA. Os universitários visitaram a antiga fazenda, hoje ocupada pelo MST. Durante o momento de vivência, os trabalhadores e as trabalhadoras rurais contaram um pouco da história de um espaço que simbolizava a exploração do trabalho. "Já tem algum tempo que a gente discute a necessidade de dar um novo significado para esse terreiro. Aqui era uma terra dos mais ricos barões do café de Minas Gerais, um terreiro que em um momento da história significou a escravidão”, contou Carol Rodrigues, militante do MST e assentada no Dênis Gonçalves.


“Só com unidade do campo e da cidade a gente vai conseguir produzir alimento saudável e ter força para construir um projeto popular”, diz dirigente do MST


Partindo dessa discussão, segundo Carol, surge a ideia de organizar um evento popular nessa mesma terra. Na primeira edição, realizada em 2017, o Terreiro Cultural foi construído evolvendo o trabalho de alguns estudantes da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Eles levaram para o campo apresentações de folia e congado.

Agora, nesta edição - que homenageia a memória de um comunicador popular - o evento foi ainda mais simbólico. “Walmir Pulga foi um militante não só do MST, mas também de outros diversos movimentos populares, desde a década de 80. Foi uma figura da arte e da cultura, a partir da fotografia, e não é nada mais justo do que a gente homenagear a história de mais um lutador do povo”, ressaltou Carol. Grupos de música popular e de diversas outras formas de expressão artística, como dança, maracatu e slam, se apresentaram durante todo o sábado.

O projeto “Doa Som”

Foi a partir de uma campanha de solidariedade que o músico Leonardo Teixeira criou o “Doa Som”, em Juiz de Fora. O projeto, segundo ele, recolhe doações de instrumentos usados e os transformam em oficinas que trabalham música e arte com quem ainda não teve essa experiência. “A gente recebe os instrumentos, faz a manutenção e realiza uma nova doação. Dependendo da comunidade que a gente doa é interessante a gente propor aulas também. No assentamento, por exemplo, vamos fazer uma oficina de tambor com as crianças e jovens”, explicou o músico.

A jornada universitária em defesa da reforma agrária

Construída em conjunto entre o MST, o Levante Popular da Juventude e algumas entidades estudantis da UFJF, a quinta edição da JURA espalha sua programação ao longo do mês de maio. Para a dirigente regional do MST Elis Carvalho, a JURA tem a objetivo de unir a classe trabalhadora para fortalecer as pautas do campo e da cidade e enfrentar o que está por vir. “A gente precisa essencialmente da ajuda do povo da cidade, principalmente no meio acadêmico, porque a partir daí se põe em pauta a questão da reforma agrária como uma necessidade não só do campo, mas também da cidade e de toda a população brasileira. Só assim, e com unidade, que a gente vai conseguir produzir alimento saudável e dar força na construção do projeto popular”, reforçou Elis.

Edição: Joana Tavares