CULTURA

Corpo são, mente (nem sempre) sã: os craques da literatura que amavam o esporte

Escritores apaixonados pela prática esportiva

Belo Horizonte

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Agatha Christie foi uma das pioneiras do surfe na Inglaterra / The Christie Archive

O escritor franco-argelino Albert Camus, vencedor do Nobel de Literatura em 1957, sentenciou: “O que eu mais sei sobre a moral e as obrigações do ser humano eu devo ao futebol”. Camus foi goleiro do Racing de Argel até que uma tuberculose fez com que ele, aos 17 anos, abandonasse os campos e mergulhasse na literatura.

Jack Kerouac, um dos máximos expoentes da geração beatnik e autor do celebradíssimo “On the road”, ingressou no time de futebol americano da Universidade de Columbia. Como a família não tinha grana para bancar seus estudos, Kerouac decidiu tentar uma bolsa como atleta. E conseguiu. Mas quebrou a perna em suas primeiras temporadas e abandonou o esporte.

Chico Buarque é uma das estrelas do Polytheama, time que ele criou e que se reúne há décadas para bater uma bola. O cantor carioca, que já jogou ao lado de Tostão e Zidane, nunca escondeu que o futebol é uma de suas grandes paixões. Ele já cantou o esporte mais popular do planeta em várias músicas e até compôs um hino para o seu esquadrão, que começa assim: “Polytheama, Polytheama, o povo clama por você/ Polytheama, Polytheama, cultiva a fama de não perder”.

Agatha Christie, uma das escritoras mais populares de todos os tempos, é uma das pioneiras do surfe na Inglaterra. Conta-se que ela foi uma das primeiras mulheres a conseguir ficar em pé em uma prancha em seu país. A “Dama do Crime”, como ficou conhecida por conta de sua externa lista de romances policiais, chegou a pegar onda na Austrália, Nova Zelândia e Havaí.

Os norte-americanos Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway, que habitaram a Paris da década de 1920, nos chamados Anos Loucos, também se aventuraram fora do universo literário. Enquanto o primeiro jogou futebol americano na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, Hemingway praticou boxe na juventude antes de ser correspondente de guerra e se tornar um dos grandes da literatura. “Minha escrita não é nada, meu boxe é tudo”, disse.

O críquete seduziu George Orwell e Virginia Woolf. Hunter Thompson, ícone do jornalismo gonzo, amava o beisebol e chegou a fundar um time. A lista de escritores que se dedicaram ao esporte é extensa. Por sorte, eles fizeram carreira nas letras. No fim das contas, nós e a literatura saímos ganhando. 

Edição: Wallace Oliveira