Coluna

Trump com apoio de Israel e Arábia Saudita, e crise argentina

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Se a verdade for restabelecida na mídia comercial, os candidatos presidenciais defensores do atual projeto serão desmistificados / Andrea Hanks/White House
Uma velha fórmula que já levou muitos países a uma situação catastrófica

Ao romper o acordo firmado com o Irã, o presidente Donald Trump foi elogiado pelos governos de Israel e Arábia Saudita, dois países que se caracterizam por alianças com setores militaristas, tão bem representados hoje pelo atual governo dos Estados Unidos, que a cada dia fortalece o complexo industrial militar.

Ao mesmo tempo que isso acontece na vizinha Argentina o governo do presidente Maurício Macri saiu em busca do socorro do Fundo Monetário internacional (FMI), o mesmo organismo que põe a faca nos países obrigando-os a seguir um roteiro pernicioso a amplos setores da população.

Mas a mídia comercial procura de todas as formas caracterizar a crise pela qual passa a Argentina como um reflexo da conjuntura internacional. Qualquer crítica fica por conta do governo anterior de Cristina Kirchner. Na verdade, Macri quer impor aos argentinos uma economia que favorece os ricos em detrimento dos pobres, como acontece toda a vez que o FMI é chamado para ajudar. É uma velha fórmula que já levou muitos países, inclusive a própria Argentina em 2001, a uma situação catastrófica.

Curiosamente, os analistas de sempre convocados a opinar poupam dirigentes como Macri e dizem que o que está acontecendo se deve apenas  conjuntura econômica internacional. Têm de fazer isso para evitar o desgaste político de figuras que seguem projetos como o da Argentina e do Brasil.

E podem estar certos de uma coisa, como a política econômica colocada em prática pelo atual governo Michel Temer terá também os mesmos reflexos que o da crise Argentina, como sempre o projeto será defendido e serão inventados os culpados. Essa é a realidade maniqueísta apresentada, porque se a verdade for dita, o modelo econômico defendido pela mídia comercial vai por água abaixo. Por isso, já surgem análises isentando Macri de qualquer responsabilidade.

No caso brasileiro ainda tem um agravante, ou seja, se a verdade for restabelecida na mídia comercial, os candidatos presidenciais defensores do atual projeto serão desmistificados. É o temor de figuras como Geraldo Alckmin, Rodrigo Maia e o próprio Michel Temer, que tenta desesperadamente acionar a sua caneta em troca de evitar ter de responder na justiça, quando terminar o mandato,  as inúmeras denúncias existentes contra ele.

É preciso, portanto, acompanhar o desenrolar dos acontecimentos na Argentina e o que provavelmente acontecerá no Brasil mais cedo ou tarde. Não é preciso nenhuma bola de cristal para prever, embora os colunistas de sempre e os economistas de plantão já estão acionados para chegar a conclusões que isentam os responsáveis pelos projetos em execução, como o de Macri  e Temer, e defendido mais ardorosamente por políticos como  Geraldo Alckmin e Rodrigo Maia.

Houve um tempo em que tanto nas crises argentinas, o recado do país vizinho era “eu sou você amanhã” e vice versa. Hoje, em pleno 2018 a história se repete, mesmo como farsa.

Edição: Brasil de Fato RJ