AMÉRICA LATINA

Eleições na Venezuela são polarizadas por debate econômico; saiba o que está em jogo

Para reestruturar a economia, Maduro quer aprofundar o socialismo, enquanto Falcón promete pedir ajuda ao FMI

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela)

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Venezuela escolherá neste domingo (20) que país terá pelos próximos seis anos / Celag.org

O povo venezuelano que vai às urnas no próximo domingo (20) terá que optar entre dois modelos econômicos para o país, representados pelos dois candidatos mais bem posicionados no pleito, Nicolás Maduro e Henri Falcón.

O presidente Nicolás Maduro, candidato à reeleição, afirma que a partir do 21 de maio dará inicio a uma “revolução econômica”, aprofundando as bases do socialismo.

Além disso, Maduro garante que vai combater o comércio do dólar paralelo, colocará a venda a nova moeda virtual - o petro -, e implementará a reconversão monetária nacional, eliminando três zeros do bolívar, na primeira semana de junho.

“A reconversão monetária faz parte de um conjunto de medidas para a estabilidade e a paz econômica. Isso não vai acontecer da noite para o dia, quero deixar isso claro para o povo. Tudo o que estamos fazendo agora e vamos continuar depois do dia 20 de maio se somam às ações que nos farão alcançar a estabilidade e a prosperidade”, destacou o presidente Nicolás Maduro em entrevista coletiva no ultimo sábado (12).

Já o candidato opositor Henri Falcón, do partido Avanzada Progresista, considerado um político de centro-direita, propõe dolarizar o salário mínimo venezuelano. “Os preços de tudo o que é vendido hoje no país são calculados a partir do valor do dólar. Por isso, vamos pagar os salários em dólares também”, disse Falcón na semana passada em entrevista coletiva à jornalistas nacionais e internacionais. Sua proposta é manter um salário mínimo no valor de 75 dólares mensais.

O candidato afirma que pedirá um empréstimo inicial ao Fundo Monetário Internacional (FMI). “A economia venezuelana necessita de pelo menos 30 bilhões de dólares de empréstimo do FMI para iniciar sua recuperação”, disse o candidato.

Entenda a crise 

Desde 2013, a Venezuela está mergulhada em uma crise econômica que começou com a desvalorização do barril de petróleo, já que 85% das riquezas geradas no país vem da indústria petroleira.

Em 2015, a crise chegou ao seu auge, agravada pelo boicote dos empresários, que deixaram de importar muitos produtos essenciais. Cerca de 60% da distribuição de alimentos é feita pelo setor privado, composto em sua maioria por opositores do governo de Nicolás Maduro.

Já em 2017, os Estados Unidos impuseram um bloqueio econômico que deu novos contornos a crise e dificultou ainda mais as operações financeiras do país e a importação de produtos, sobretudo da indústria farmacêutica. Ainda assim, a crise de abastecimento diminuiu, sobretudo no setor alimentício.

No entanto, outros fenômenos vieram à tona em 2018 e seguiram sufocando a economia venezuelana, como por exemplo a hiperinflação. Segundo o especialista Luis Enrique Gavazut, assessor do Observatório Econômico da Presidência da República, ela é causada por algo que ele classifica como “guerra cambial”.

Um dos fatores que explica essa “guerra” está na compra e venda do dólar paralelo, cuja cotação é definida em páginas de internet hospedadas fora do país, sem qualquer regulamentação. Com a disparada do dólar no país, os preços de bens e serviços sobem drasticamente.

Esses serão alguns dos desafios que o presidente eleito terá que enfrentar no próximo período. O Brasil de Fato está na Venezuela e trará uma cobertura completa das eleições.

 

 

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira