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Memória: Futebol e política se discute sim

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Diversas torcidas se manifestaram recentemente em solidariedade à Marielle Franco e contra a prisão do presidente Lula / Reprodução
A Copa está chegando, vamos aproveitar e curtir bastante

A Copa do Mundo de Futebol da Rússia está prestes a começar. E, com a sua proximidade, chegam também os velhos chavões do futebol brasileiro, tal como: "somos a pátria de chuteiras” ou "o Brasil é o país do futebol”. Independente de gostar ou não deste esporte, é inegável, para qualquer um, o efeito dele sobre o nosso país e o nosso povo. 

Minha relação com o futebol começou com uma paixão irracional por meu clube, na adolescência, mas com o tempo passei a me afastar do mundo futebolístico ao me dar conta da realidade de trambicagens no seu dia-a-dia. Somente após a leitura do livro "Futebol ao Sol e à Sombra", de Eduardo Galeano (escritor uruguaio sobre o qual voltarei a falar em outro artigo) é que voltei a enxergar muito da beleza e da importância desse esporte, especialmente para nós, latino-americanos.

Atualmente, um debate que tem me chamado muita atenção, é o que trata da mercantilização do futebol. Óbvio que não quero romantizá-lo, muito menos achar que seria possível apartá-lo das relações capitalistas que mediam nossa sociedade. Esse fenômeno de tornar o futebol cada vez mais um produto - por sua vez cada vez mais caro - termina por afastar o povo dos estádios, deixando o verdadeiro futebol distante do cotidiano de seus clubes.

Mesmo com toda essa problemática, o certo é que, somente a popularidade explica a potência que o futebol possui e, os que insistem em elitizá-lo talvez nem saibam o mal que fazem a esse esporte. Em paralelo, grupos de torcedores em todo país parecem se dar conta de que aquele outro velho chavão “futebol e política não se discutem”, não faz o menor sentido, porque, na realidade, futebol e política se discute sim.

Aliás, talvez quem comande o futebol, tenha exatamente o receio de que a política de verdade seja levada para dentro dos estádios. Por isso a ação equivocada e autoritária de proibir as faixas que, recentemente, homenagearam nos estádios a ex-vereadora assassinada Marielle Franco ou, ainda, as que pediam a liberdade de Lula.

A Copa está chegando, vamos aproveitar e curtir bastante. Mas, certamente, sem deixarmos de estar atentos para a importância de defender com muita garra o legado do futebol brasileiro, que é o seu caráter popular. Aliás, este parece ser o grande desafio para todo o ano de 2018: Lutar em defesa das causas populares, na política e no futebol. Como diria aquele locutor chato da TV brasileira: “Haja coração!”

Edição: Monyse Ravenna