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Saúde da população em situação de rua é tema de cartilha para profissionais de saúde

Publicação foi elaborada por estudantes de medicina de São Paulo, Paraná e o Movimento Nacional da População de Rua

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Falta de formação específica na faculdade motivou estudantes a criarem cartilha sobre atendimento a pessoas em situação de rua / Foto: Reprodução

Estudantes de medicina dos estados do Paraná e de São Paulo lançaram a cartilha “Saúde da População em Situação de Rua”, que tem por objetivo relacionar o conhecimento sobre as necessidades de “quem fica, está ou é da rua”.

A iniciativa surgiu em uma oficina realizada pela Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (Denem) em Botucatu, no ano passado, reunindo estudantes com o Movimento Nacional da População de Rua (MNPR).

Arthur Vizzotto Zolin, estudante do quinto ano de medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e integrante da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares (RNMMP), acredita que a iniciativa contribui para a formação médica.

“Quando me propus a coordenar, junto com o companheiro Henrique Bassin, foi por entender que esses conhecimentos não eram transmitidos na universidade ao longo da graduação e são essenciais para a formação humana”.  

O objetivo do Denem e do MNPR é levar o material, elaborado de forma independente, às escolas médicas, às coordenações de cursos da área da saúde e às secretarias municipais e estaduais de Saúde, além do próprio Ministério da Saúde.

“Queremos trazer uma outra perspectiva sobre as pessoas que estão em situação de rua e levar um pouco de conhecimento, leis que a gente precisa conhecer também, os direitos, a abordagem para redução de danos, a situação das mulheres, das crianças, da população LGBT em situação de rua”, detalha Zolin.

A cartilha “Saúde da População em Situação de Rua” busca dar contornos mais fortes a quem é invisibilizado pelo cobertor e o papelão. Traz um breve diagnóstico da população em situação de rua do país, estimada em mais de 100 mil, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2017.

Reúne também relatos de pessoas que estão na rua e de quem abriu mão do consultório tradicional para se aproximar, aprender a ouvir e a cuidar de quem precisa, mas nem sempre sabe que tem acesso a esse direito. A médica Erika Plascak Jorge, do Consultório na Rua em São Paulo, é uma destas profissionais que contribui na publicação.

A publicação, que pode ser baixada aqui, faz um breve diagnóstico sobre a situação das pessoas em situação de rua, apresenta o Movimento Nacional da População de Rua, indica profissionais que atuam em consultórios de rua e oferece dicas de abordagem aos profissionais de saúde.

Edição: Diego Sartorato