Petrobras

Pedro Parente | O senhor dos apagões

Quem é o atual presidente da Petrobras, responsável pela criticada política de preços da empresa?

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Pedro Parente, atual presidente da Petrobras / Foto: José Cruz/Agência Brasil

Pedro Pullen Parente nasceu no Rio de Janeiro em 1953. Engenheiro de formação, foi consultor do Fundo Monetário Internacional (FMI) entre 1993 e 1994, período em que morou nos Estados Unidos. Ocupou o primeiro cargo público de relevância em 1999, como ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Naquele mesmo ano, se tornaria o ministro número um do governo tucano, na chefia da Casa Civil. Logo, seria nomeado interinamente ministro das Minas e Energia, quando o país enfrentou uma das maiores crises de energia da história, conhecido como o período dos apagões, pela falta de planejamento e investimentos em geração de energia, causando um grande prejuízo ao país. 

Após o golpe de estado em 2016, foi nomeado por Michel Temer como presidente da Petrobras, substituindo Ademir Bendine no comando da empresa. Uma das primeiras medidas ao assumir a gestão da estatal, foi colocar à venda 15,5 bilhões de dólares em ativos da empresa, supostamente com a intenção de reduzir custos. 

Parente é o responsável pela nova política de preços da petroleira, alvo dos protestos de caminhoneiros por todo o país na última semana. Sob a nova gestão, os preços deixaram de obedecer a variáveis internas, e passaram a oscilar de acordo com o preço internacional do barril de petróleo e pela variação do dólar, o que tem provocado constantes reajustes. 

Segundo Sérgio  Gabrielli, ex-presidente da Petrobras entre 2005 e 2012, a mudança na política de preços é uma das grandes responsáveis pela atual crise que atravessa o país. “A política de preços era ajustar no longo prazo as relações entre mercado doméstico e o mercado internacional. Havia momentos em que os preços domésticos estavam acima dos preços internacionais, e havia momentos em que os preços internacionais estavam acima dos preços domésticos. Hoje temos uma política completamente diferente, que é uma política de atrelar os preços internacionais de maneira instantânea, praticamente, o que é incompatível com a estrutura de mercado do Brasil". 

Gabrielli explica ainda que nos anos em que a economia brasileira crescia, foi possível investir em refino de petróleo, monopolizado pela estatal, o que possibilitava um repasse menor dos custos aos consumidores. Hoje, a empresa opera pouco mais de 60% da capacidade de refino, e importa derivados, repassando ao consumidor o custo da operação. 

“O que ela [a atual gestão da Petrobras] quer fazer é criar um ambiente favorável para que novos investidores entrem no mercado de refino, substituindo a Petrobras no refino. E para fazer isso, ela quer, por um lado, que os preços sejam atrelados inteiramente ao preços internacionais, e em segundo lugar, que o volume de derivados importados cresça por terceiros”. 

A Federação Única dos Petroleiros anunciou que entrará em greve por 72 horas a partir desta quarta-feira (30). Além de pedir a redução do preço dos combustíveis e do gás de cozinha, a federação coloca entre as principais pautas da paralisação a demissão de Pedro Parente do comando da Petrobras. 

Para José Maria Rangel, presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a gestão ‘entreguista’ de Parente chegou ao limite do aceitável. “Simplesmente, ele está vendendo toda a empresa. Ele já anunciou a venda de quatro refinarias, de vários terminais, está construindo o lucro da empresa baseado em venda de ativos, já destinou quase que todos os recursos da Petrobras ao mercado financeiro, reduzindo os investimentos em produção. Então, por mais que ele goste ou não, essa é uma empresa do governo, e para nós, ela tem que favorecer ao povo brasileiro”. 

A greve, somada aos bloqueios de rodovias que ainda persistem em todo o país, deve intensificar a pressão para a saída de Parente da presidência da estatal. Além da dirigência sindical e dos representantes de setores progressistas, alguns conservadores, como o senador do PSDB Cássio Cunha Lima ou o presidente do Senado, Eunício Oliveira, já defendem publicamente a demissão do executivo. 

 

Edição: Juca Guimarães