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Clássico da MPB, disco-manifesto do Tropicalismo é estudado em livro

Edição "Livro do Disco", da editora Cobogó, vai analisar álbum "Tropicália ou Panis et Circenses", de 1968

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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"Disco é um documento da música popular brasileira", afirma professor Pedro Duarte. / Divulgação

Único registro de um movimento que modificou as estruturas da Música Popular Brasileira, o álbum Tropicalia ou Panis et Circenses reúne todas as nuances de um grupo heterogêneo, musicalmente qualificado e consciente do que fazer para ficar na história.

Cinquenta anos depois de seu lançamento, o álbum, que une Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa e todos os outros membros do Tropicalismo será dissecado na coleção o "Livro do Disco", da editora carioca Cobogó.,

O professor de filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor da obra, Pedro Duarte, percorreu as doze faixas do álbum para mostrar a atualidade de um trabalho que, para ele, alçou músicos ainda jovens ao patamar de cânones da MPB.

"Escrever sobre Tropicália ou Panis et Circenses meio século depois é dar conta dessa ambiguidade: por um lado, o disco mantém uma força surpreendente de inovação nas formas, na maneira de cantar, no entusiamo. Por outro lado, o disco se tornou um documento incontornável da música popular brasileira. São nomes que estão aí até hoje", afirma.

Líder de um grupo que ficou caracterizado por promover a contracultura no Brasil, Caetano Veloso quis homenagear, no álbum, um clássico da música nacional.

A trágica canção "Coração Materno", de Vicente Celestino, foi a maneira encontra pelo baiano para demonstrar amor ao que foi produzido no Brasil até então.

"Mais do que respeito com o Vicente Celestino, há o amor. É uma relação amorosa dos tropicalistas com a história da música popular brasileira. Aquilo que eles propunham não era apenas uma ruptura, mas a capacidade de conjugar Beatles e Jimi Hendrix com o Vicente Celestino. Unir elementos estrangeiros e a produção interna brasileira", analisa Pedro Duarte.

Diante de sucessos como Baby e Panis et Circenses, Pedro Duarte afirma que uma música em questão simboliza o que foi o movimento tropicalista: Geleia Geral.

A canção, uma parceria de Gilberto Gil e o piauiense Torquato Neto, fala sobre poetas desfolhando a bandeira, o manifesto antropofágico do modernista Oswald de Andrade e a necessidade de mudar os rumos da produção musical brasileira.

"Do ponto de vista da revelação de uma poética e pensamento tropicalista, Geleia Geral é a canção mais emblemática. É um manifesto desse disco e do grupo. A música reúne quase tudo de melhor que existiu no movimento", conclui.

Para além de Gil, Caetano, Gal Costa e Torquato Neto, Tropicalia ou Panis Et Circenses teve figuras como Tom Zé, Nara Leão, Os Mutantes, o poeta José Carlos Capinam e o maestro Rogério Duprat.

A edição "Livro do Disco" também já analisou álbuns como Tábua de Esmeralda, de Jorge Ben Jor, e Refavela, de Gilberto Gil 

Edição: Michele Carvalho