Corrupção

Assessor afirma que intermediou propina para Beto Richa

Ex-diretor da Secretaria de Educação, que está preso, fez proposta de delação premiada, que foi vazada pela Rede Globo

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Ex-diretor da secretaria de Educação no governo Beto Richa, Maurício Fanini está preso por seu envolvimento na operação Quadro Negro. / Orlando Kissner/ANPR

Ex-diretor da secretaria de Educação no governo Beto Richa, Maurício Fanini está preso por seu envolvimento na operação Quadro Negro, que apura o pagamento de propina na área de educação no governo do Paraná. Para tentar reduzir sua pena, fez proposta de delação premiada ao Ministério Público em que envolve diretamente o ex-governador Beto Richa.

No documento vazado pela RPC, retransmissora da rede Globo, na última terça-feira, o ex-assessor diz ser amigo de Richa desde os tempos de faculdade. Que se reaproximou quando ele era vice-prefeito de Curitiba, tendo recebido propina de empresários e repassado para as campanhas de Richa na prefeitura e, depois, em suas candidaturas ao governo do Estado.

Além de dinheiro para campanhas, Fanini diz ter repassado R$ 500 mil para o filho mais velho de Richa, Marcello, complementar o pagamento de um apartamento que comprou em 2013. Além de valores para viagens e outros gastos do governador e sua família.

Diz que quando Richa foi eleito ao governo do Estado, assumiu cargo na Secretaria de Educação. E, no mesmo ano, houve conversa entre ele e o governador sobre doações para campanhas. Richa teria dito a Fanini, nessa época, com “muita naturalidade”, que deveria ser feita uma arrecadação mensal com prestação de contas exclusivamente a ele. Disse também ter ouvido de Richa que ele poderia separar uma parte para o próprio sustento.

O dinheiro de propinas, segundo Fanini, era deixado por ‘intermediadores’ no banheiro de uma sala da Superintendência de Desenvolvimento Educacional (Sude) e depois levado para a casa dele, onde permanecia guardado até ordem do governador. Quando exigidos, os valores eram repassados a Luiz Abi, primo de Beto Richa.

O esquema teria funcionado até 2015, quando surgiram as denúncias da Operação Quadro Negro. Fanini acabou sendo demitido do governo, mas, segundo ele, teria passado a receber mesada de R$ 12 mil de empresários a mando do governador, no que entendeu como uma operação para que ficasse calado. Isso durou até o início de 2017.

No dia em que a matéria foi exibida, o governador Beto Richa soltou nota à imprensa afirmando que a proposta de delação premiada “ainda se encontra sob sigilo e mais uma vez foi vazada criminosamente…” E continua: “qual a razão de dar credibilidade a um criminoso que realizou 870 depósitos em dinheiro vivo, em sua própria conta corrente, pagou cartões de crédito em dinheiro vivo e formou um patrimônio incompatível com sua renda? É uma tentativa desesperada de delação, que pela ausência de provas, não será aceita pela Justiça. São acusações criminosas, com o objetivo de envolver pessoas inocentes, retirando o foco das fraudes por ele cometidas. E para isso, mente descaradamente. Nem eu, nem qualquer membro da minha família, recebeu dinheiro desviado dos cofres públicos”, afirma a nota

Edição: Laís Melo