SAÚDE

Repórter SUS | Quem paga a conta da política de preços dos combustíveis?

Corte em políticas sociais impacta na redução da mortalidade infantil

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Redução do preço dos combustíveis afetará programas nas áreas de Educação e Saúde. / Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Repórter SUS conta com a participação de Nísia Trindade, presidenta da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que traz uma análise sobre como a nova política orçamentária adotada pelo governo federal para reduzir o preço do diesel impactará na Saúde. Os cortes afetarão diretamente programas sociais e políticas públicas voltadas para as áreas de Educação e Saúde.

IMPACTOS SOCIAIS

Qualquer política que afete o Sistema Único de Saúde (SUS) pode ter um efeito difícil até de avaliar nesse momento. Em artigo de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz publicado na revista Lancet, aparece o impacto na redução da taxa de mortalidade infantil, que é um indicador que o Brasil vinha avançando com políticas sociais nos últimos anos. 

Afetar políticas sociais significa atingir no coração o projeto de futuro de país. Repensar a política de preços dos combustíveis com  um olhar diferenciado para o que afeta socialmente este modelo,  como a questão do impacto no aumento do gás de cozinha, a própria mobilidade, o transporte de cargas e a situação dos caminhoneiros necessita ser considerado e analisado. Por isso, eu acho que não há resposta imediata. A não ser a revisão da política de preços dos combustíveis. 

ELEIÇÕES

O que eu acho mais importante e foi essa a discussão no nosso Conselho, é que vamos entrar num período eleitoral, portanto, de projetos políticos para o país. As instituições públicas e todo o Sistema Público de Saúde precisam  apresentar projetos nesse momento. Como lidar com esses dilemas de ajustes num setor que causam prejuízos em outro? Que política precisamos? Que política tributária precisamos? Que política social nós precisamos? 

Um dos grande encaminhamentos que já vinha de antes da crise diz respeito a estarmos juntos como uma instituição de ciência e tecnologia que somos para o SUS, mas junto com a Sociedade Brasileira do Progresso da Ciência, com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva e com outras instituições, discutindo a superação da crise e projetos políticos que possam unir força social e apresentar alternativas para a redução de desigualdade. 

*O quadro Repórter SUS é uma parceria entre a Radioagência Brasil de Fato e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz)

Edição: Brasil de Fato RJ