MUNDIAL

PAPO ESPORTIVO | Reflexões necessárias no final de uma copa do mundo

"Que me perdoem os puristas, mas a França foi realmente o melhor time da Copa do Mundo"

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Os comandados de Didier Deschamps foram mais regulares e mais eficientes durante todas as partidas da competição na Rússia / Fotos Públicas - RFS RU

Pois é, pessoal. A Copa do Mundo 2018 terminou. Foram 64 partidas, 169 gols marcados (excelente média de 2,64 por jogo) em pouco mais de um mês de muita festa, muitos memes e muita coisa pra ser discutida por um bom tempo. Foi o Mundial das estratégias e das bolas paradas. Mas também foi uma competição que serviu pra gente analisar muita coisa do futebol brasileiro.

Que me perdoem os puristas, mas a França foi realmente o melhor time da Copa do Mundo. Mesmo com as polêmicas da arbitragem de Nestor Pitana. O argentino marcou uma falta inexistente em Griezmann no lance que originou o primeiro gol da decisão em Moscou e ainda mostrou uma certa insegurança em determinados momentos da partida. Por outro lado, os comandados de Didier Deschamps foram mais regulares e mais eficientes durante todas as partidas da competição na Rússia. A dupla de zaga formada por Varane e Umtiti, os volantes Kanté, Pogba e Matuidi e o atacante Griezmann fizeram um Mundial absurdo. Mas nenhum deles chegou aos pés de Kylian Mbappé.

O camisa 10 jogou demais. Marcou quatro gols na Copa do Mundo e quebrou uma marca que não era superada desde 1958. O francês foi o segundo jogador abaixo de vinte anos a balançar as redes numa final de Mundial depois de um certo jogador chamado Edson Arantes do Nascimento. Modric que me perdoe, mas Mbappé é o craque da competição na opinião deste colunista.

E FALANDO NA CROÁCIA… 

A razão apontava para a França sendo campeã, mas o coração estava na Croácia. Difícil não torcer por Modric, Vida, Madzukic e Perisic depois da Copa do Mundo absurda que essa seleção fez. Foram três prorrogações, duas decisões por pênaltis e atuações incríveis contra a Argentina (na fase de grupos) e a Inglaterra (nas semifinais). O cansaço acabou falando mais alto na decisão contra os franceses. Também faltou sorte no lance do primeiro gol e um pouco mais de concentração depois que o time conseguiu o empate. Mesmo assim, a segunda colocação na Copa do Mundo é um prêmio para uma geração extremamente talentosa e vitoriosa. 

E O QUE FICA DA COPA DO MUNDO? 

A verdade, amigos, é que o Mundial da Rússia trouxe uma série de reflexões. Falar que o futebol brasileiro tem muito a aprender com as campanhas de França, Croácia, Bélgica e Inglaterra é chover no molhado e até mesmo soar oportunista. Mas é bom lembrar que alguns conceitos defendidos por boa parte da imprensa esportiva foram derrubados com a vitória francesa. O primeiro deles é a crença de que “camisa 9 bom é aquele que faz gol”. Giroud terminou a Copa do Mundo sem balançar as redes, mas foi importantíssimo no esquema tático da seleção francesa. E foi campeão. Onde está o seu Deus agora? 

Outro ponto está na forma como todos nós encaramos o Mundial. As vezes é preciso compreender que as derrotas acontecem por mero capricho dos deuses do velho e rude esporte bretão. Levantar suspeitas, acusar os jogadores de falta de raça e afins é fechar os olhos para situações que acontecem dentro de campo. Resultados ruins fazem parte do esporte. É do jogo. Paciência. 

Que a nossa Seleção Brasileira aproveite os próximos quatro anos para se renovar e se fortalecer para a Copa do Mundo do Catar. E que eu e você nos lembremos de que o futebol é muito mais do que vencer ou perder. Tem muito mais coisa no meio dessa modalidade tão apaixonante que não caberia numa simples página de jornal ou numa simples gravação. 

Edição: Eduardo Miranda