Golpe

EDITORIAL | A insensata pequenez do judiciário brasileiro

Com o episódio da ordem para soltar Lula, as máscaras caíram: Lula é um preso político.

João Pessoa

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A força da organização política do povo é maior que a de um judiciário parcial que age como polícia política. / Eduardo Matysiak

Qualquer análise séria da política brasileira na atualidade deve concordar quanto ao fato de que é inconcebível a parcialidade com a qual tem agido o Poder Judiciário. Ao contrário do previsto pelas leis brasileiras, os juízes operam segundo suas opiniões particulares ou escolhas políticas. Estes homens, comprometidos com os interesses das elites e preocupados em aprofundar o golpe de Estado em curso, julgam processos desprezando a hierarquia do Judiciário e até mesmo a nossa Constituição, amplamente rasgada desde que Michel Temer e seu time golpearam nossa democracia, subtraindo direitos individuais e coletivos e dando lugar a um Estado que assume de maneira crescente a condição de Estado de Exceção, no qual prevalece o autoritarismo e os ataques à soberania popular.

Quanto a esse embaraço, o domingo, 8 de julho, foi emblemático. O juiz de primeira instância Sérgio Moro, “menino dos olhos” do golpe, resolveu conter por instantes suas férias e somar-se a outros comparsas para "apitar" numa situação que não lhes competia: impedir que a soltura de Lula fosse deferida. A decisão levada a cabo pelo desembargador Rogério Favreto, hierarquicamente superior a Sérgio Moro e plantonista naquele domingo no TRF-4, acenava ao povo brasileiro, em atenção aos trâmites legais, a possibilidade do encaminhamento de uma medida democrática e justa, já que a condenação e prisão do maior líder popular do país – primeiro lugar em todas as pesquisas para as eleições presidenciais, inclusive – procedeu na contramão de nossas próprias leis. Lula, o único presidente de origem popular em toda nossa história republicana, é um condenado sem provas.

E mais uma vez a grande mídia cumpre seu papel nefasto de garantir a perpetuação das situações antidemocráticas em que vivemos. A Globo, de forma desesperada, tratou de garantir a narrativa de que a ação do juiz Favreto era estapafúrdia e descabida. Nesse momento, vale desrespeitar juiz e procedimentos legais. A única ação legal nesse caso, para a Globo, segue sendo as de Moro e seu grupo. Qualquer análise que fuja das interpretações antilula e pró-golpe são desqualificadas e desrespeitadas por esse jornalismo.

Dois dias após a desclassificação do Brasil da Copa do Mundo, enquanto a expectativa era a calmaria, ganharam espaço em todo país amplas mobilizações em favor da libertação do presidente Lula. A tensão interna no judiciário e as manchetes dos telejornais contribuíram para estampar de uma vez por todas para a sociedade que Lula é um preso político. Diante desse fato, cabe às forças populares permanecerem em marcha, de modo cada vez mais ativo, em defesa da democracia e do direito de candidatura de Lula à Presidência da República. A grandiosidade da força organizada do povo brasileiro é infinitamente maior que a pequenez de um judiciário parcial; de um judiciário que age como polícia política.

Edição: Paula Adissi