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Festivale chega à 35° edição pulsando a arte e a cultura do Jequitinhonha

Desde os anos 80, evento é construído pelo povo da região

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Coral das Lavadeiras faz a bênção das águas em todas as edições do Festivale
Coral das Lavadeiras faz a bênção das águas em todas as edições do Festivale - Divulgação
Desde os anos 80, evento é construído pelo povo da região

Entre os dias 22 e 28 de julho, a cidade de Felisburgo recebe a 35° edição do Festivale, o Festival de Arte e Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha. O evento surgiu no final dos anos 80 e ao longo dessas décadas de existência e resistência, sempre foi construído pelas mãos do povo. “O Festivale é um dos maiores movimentos culturais do país organizados pela sociedade. A maioria dos eventos deste porte são organizados pelo governo ou empresas”, afirma José Augusto, diretor da Federação das Entidades Culturais e Artísticas do Vale do Jequitinhonha - Fecaje, entidade que organiza o evento. 
O Festival da Canção é uma das tradições do evento e uma das atrações mais esperadas pelos participantes. Do palco do Festivale saíram diversos artistas renomados, como Paulinho Pedra Azul, Pereira da Viola, Saulo Laranjeira e Rubinho do Vale. “Infeliz do povo que não abre o coração para a sua cultura. E é por isso que nós vamos celebrar o ser e o pertencer ao Vale do Jequitinhonha” defende Lia Queiroz, diretora da Fecaje. 
Mas o Festivale também abre o palco para artistas de outras regiões do estado, do país e até do mundo. Além de música, na programação estão previstas mais de 13 oficinas; como de dança, artes cênicas, artesanato, poesia e construção de boi de janeiro. Uma feira de artesanato e o circo de lona, que vai ser armado na cidade, especialmente para o festival, compõem o cenário.
As rodas de conversa também afirmam que a cultura é uma ferramenta de luta. Os participantes do evento vão debater a realidade dos povos tradicionais, a importância dos movimentos populares e a atual conjuntura do país. Além do debate, a programação também conta com peças teatrais que vão abordar o massacre de Felisburgo, que completa 14 anos em 2018. Já o Encontro de Mulheres do Vale, que também acontece durante o festival, vai discutir o empoderamento feminino e a luta contra o machismo.
Memória
Para guardar na memória todos os momentos do festival e manter viva a tradição da cultura do Jequitinhonha, neste ano as canções tocadas no Festivale vão compor um CD do evento. Os poemas declamados durante o festival de poesia também vão integrar uma coletânea com os versos do vale. 
Sem fronteiras
A próxima edição do festival está prevista para acontecer na cidade de Belmonte, na Bahia, onde fica a foz do Rio Jequitinhonha. “O Vale não é só Minas, o Vale do Jequitinhonha é por onde o rio passa. Ele é do Brasil”, afirma José Augusto, da Fecaje. 

Edição: Joana Tavares