Mobilizações

Editorial | A ousadia do povo na rua

Diversos movimentos populares e organizações políticas pensaram em agendas unitárias para denunciar o golpe

Brasil de Fato | Belo Horizonte (Minas Gerais)

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Marcha Nacional Lula Livre vai de 10 a 15 de agosto, no Centro Oeste do país / Charge: Latuff

Diante de tamanha injustiça e do cenário político nacional golpeado por reformas impopulares e perda de direitos, diversos movimentos populares e organizações políticas pensaram em agendas unitárias de mobilização para denunciar o golpe, a fome, e afirmar a necessidade de Lula livre para retomarmos a democracia no país. 

Marchas por “Lula Livre” aconteceram em diversos estados e percorrem centenas de quilômetros embaixo de sol e chuva, conversando com o povo, dizendo que somente com a mobilização popular sua liberdade será concreta.

Recentemente, fomos surpreendidos com a triste notícia de que o Brasil deve retornar ao Mapa da Fome da ONU. Em 2014 saímos dele. Menos de quatro anos depois, o golpe que retirou Dilma Rousseff da presidência impôs uma agenda que afetou diretamente a população mais pobre. Cortes em programas sociais excluíram do Programa Bolsa Família 1,1 milhão de famílias e fez crescer a fome e a miséria. Tudo isso deixa evidente o quanto o golpe tem relação direta com a piora de vida do povo.

Sete lideranças estão há mais de dez dias em greve de fome

No intuito de denunciar o aumento da fome - atualmente 12 milhões de pessoas passam fome no país - e lutar pela liberdade de Lula, foi que a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), em conjunto com outras organizações, construiu a Caravana Semiárido Contra a Fome que foi de Pernambuco a Brasília, 4.300 quilômetros, dialogando sobre a situação de fome que atinge o país. Enquanto isso, sete lutadoras e lutadores do povo entraram em greve de fome para pressionar o Supremo Tribunal Federal em relação à prisão política de Lula, o ato extremo demonstra coragem e ousadia e que nosso povo está disposto a ir à luta pela democracia.

Duas agendas nacionais mobilizam o povo nos próximos dias no intuito pedagógico de dialogar com a classe trabalhadora e lutar contra a retirada de direitos e pela retomada da democracia. A Marcha Nacional Lula Livre inicia neste 10 de agosto e termina no dia 15 de agosto num grande ato em frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em Brasília. Ainda no dia 10, as centrais sindicais realizam ato unitário chamado de Dia do Basta, quando o desemprego, a miséria, a crise e o aumento do gás de cozinha serão denunciados e colocados na conta do golpe.

As agendas de luta e mobilização são várias e reforçam que o diálogo com o povo pode criar a capacidade de virar o jogo e enfrentar as forças golpistas, que insistem cotidianamente em nos negar o direito a viver dignamente.

Edição: Joana Tavares