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De uso milenar no oriente, conheça as especiarias e seus benefícios

Especiarias possuem propriedades terapêuticas e chegaram a valer peso de ouro durante a Idade Média

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Cúrcuma, gengibre, cardamomo, cravo, noz moscada e canela são algumas das ervas consideradas especiarias / Pixabay

As plantas chamadas de especiarias têm um papel importante não somente na cozinha, mas na história da humanidade. Durante o período da Idade Média, a busca por estas ervas, que chegavam a ter o mesmo valor do ouro, foi responsável também pela criação de uma rota que ligava o oriente ao continente europeu. Segundo o fitoterapeuta Ademar Menezes, um dos grandes motivos pelo qual as especiarias eram tão valiosas é sua propriedade de conservação de alimentos, muito procurada na época. 

"As especiarias são fundamentais porque elas possuem substâncias químicas que tem uma ação antibiótica e com isso preserva o alimento. Não só dar sabor, como também preserva os alimentos. Além da questão terapêutica, porque essas plantas também possuem ação terapêutica", afirma Menezes.

Segundo o fitoterapeuta, as especiarias são diferentes das ervas aromáticas, que já eram utilizadas pelos europeus e incluem plantas com folhas e flores, como o alecrim, a sálvia, o orégano, o manjericão e o tomilho. Já as especiarias são partes de vegetais mais secos como cúrcuma, gengibre, cardamomo, cravo, noz moscada e canela. "Por exemplo, uma casca, a canela, um broto floral seco, o cravo da índia, uma semente, a noz moscada. Normalmente aquilo que a gente chama de especiarias são parte de vegetais mais duros, mais amadeirados e que normalmente eram buscados no Oriente, na região ali da Índia, da China". 

Em relação à função de condimentar o alimento, ou seja, de dar sabor, o especialista comenta que as especiarias podem ser usadas tanto em pratos doces quanto salgados. De acordo com o fitoterapeuta, diferente dos indianos, que chegam a utilizar até 15 especiarias no preparo de um só prato, os brasileiros se limitam na utilização do alho e da cebola, não aproveitando todo o potencial terapêutico das diversas especiarias disponíveis. 

"Grande parte dessas plantas possui ação digestiva, ajudando no processo digestivo. Auxiliam em outros aspectos, por exemplo, a cúrcuma. Ela vai ajudar a baixar o colesterol e a diminuir as inflamações do corpo", ressalta Menezes. 

Apesar dos benefícios terapêuticos, alguns cuidados são necessários. O especialista alerta, por exemplo, que pessoas com gastrite ou úlcera devem evitar pimenta do reino. A noz moscada também é uma especiaria que precisa ser consumida com moderação, pois o excesso pode trazer problemas para o sistema nervoso central. Ele também alerta que a canela tem uma ação abortiva, e deve ser evitada por mulheres início da gravidez. "Por outro lado, pode ser utilizado o chá de canela para cólicas menstruais, justamente por este efeito de ativar mais a contração uterina", recomenda. 

Em relação ao sabor, a dosagem também é importante para não estragar o prato. Ademar orienta utilizar as especiarias aos poucos e na quantidade de pitadas, de acordo com o paladar de quem for consumir. Para ele, a utilização frequente das especiarias no dia a dia transforma o nosso prato em um medicamento, trazendo benefícios para a saúde de forma geral. 



 

Edição: Guilherme Henrique