DECISÃO

Disputa a governador da Paraíba coloca em jogo projetos progressista e conservador

Conheça as chapas, os candidatos e o que representam na política mais geral, na Paraíba e no Brasil.

João Pessoa (PB)

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João Azevedo, Lucélio Cartaxo e Zé Maranhão são os candidatos com maior porcentagem de intenção de votos. / Divulgação

O Brasil e a Paraíba estão às vésperas de eleger novos governadores, senadores/as (2 por estado), deputados federais e estaduais, além de novo presidente. Na Paraíba, serão eleitos 17 deputados/as federais e 36 estaduais. As eleições ocorrem no dia 7 de outubro e, caso haja segundo turno, será no dia 28 de outubro.

Estão disputando o governo do estado da Paraíba 5 chapas, que contam com os seguintes candidatos: Rama Dantas (PSTU) e Tarso Teixeira (PSOL), que saem sem coligação; José Maranhão (MDB), coligado com o PR e o Patriotas; Lucélio Cartaxo (PV), junto a mais 11 partidos (PSDB, PP, PSD, PTC, PRTB, Solidariedade, DC, PSL, PPL, PSC e PHS); e João Azevedo (PSB), que sai com a maior coligação, reunindo 14 partidos — PDT, PT, PCdoB, Rede, Pros, Avante, PRP, PMN, PPS, Podemos, PTB, DEM, PRB. 

Mas, para além dessa sopa de letrinhas, o que representa cada uma das chapas? 

Para responder a esta pergunta, o Brasil de Fato Paraíba foi conversar com o professor e pesquisador da Universidade Federal da Paraíba Jonas Duarte que, através da análise do comportamento dos líderes políticos em votações importantes no Congresso Nacional — como a reforma trabalhista e a PEC do teto dos gastos públicos —, apontou a posição política das três chapas com mais intenção de votos nas pesquisas. 

A chapa Maranhão-Maranhão

José Maranhão, com 85 anos, é um político de longa carreira. Foi várias vezes deputado estadual, federal e governador. Atualmente, está em seu segundo mandato de senador. Votou a favor de todas as medidas do Governo Temer. Para o pesquisador Jonas Duarte, Maranhão é candidato dele mesmo e só apresentou sua candidatura para barganhar espaço político em um provável segundo turno. “Maranhão, de certa forma, é um político, do ponto de vista ideológico, sem um viés muito característico. Ele vai de acordo com quem 'tá' no governo”, analisa o historiador.

A chapa Lucélio Cartaxo-Cássio Cunha Lima

A chapa tem como cabeça o irmão gêmeo do prefeito de João Pessoa, Lucélio Cartaxo, que nunca concorreu em eleições. É uma figura desconhecida na política paraibana e foi indicado após Luciano Cartaxo decidir continuar à frente da Prefeitura de João Pessoa, assim como Romero Rodrigues, que também não largou o cargo de prefeito de Campina Grande e indicou sua esposa, Micheline Rodrigues, como vice da chapa que representa a oposição ao governo de Ricardo Coutinho.

O partido mais forte dessa coligação é o PSDB, que tem como principal líder o senador e candidato a reeleição Cássio Cunha Lima. Junto a Aécio Neves, Cássio liderou o processo de cassação da presidente Dilma Rousseff, votou favorável a todas as medidas e projetos do presidente Temer, como a reforma trabalhista, e se colocou favorável à reforma da previdência, que, se aprovada, acabará com a aposentadoria.

Para Jonas Duarte, o projeto político representado na chapa de Lucélio Cartaxo é de centro-direita e neoliberal. “O projeto político é neoliberal, hegemonizado pelo PSDB, e o senador Cássio Cunha Lima é o líder desse projeto. Isto significa privatização das empresas públicas e redução dos investimentos públicos”, explica o professor. Jonas diz ainda que não só Cássio, mas toda a base de apoio de Lucélio Cartaxo apoiou as reformas neoliberais aprovadas no governo Michel Temer.

João Azevedo-Ricardo Coutinho

O candidato do governador Ricardo Coutinho (RC), João Azevedo, tem como vice Lígia Feliciano, do PDT. Azevedo é também um desconhecido no mundo da política, é sua primeira vez em eleições. Ele é Engenheiro Civil, tendo ocupado vários cargos nas gestões municipais e estaduais de RC. Como candidato do PSB, tenta herdar o capital político de Ricardo, que está em seu segundo mandato de governador.

Para Jonas Duarte, a coligação protagonizada pelo PSB se configura, nessas eleições, como de centro-esquerda.

“A chapa formada pelo PSB, a chapa majoritária, ganhou conotações políticas muito interessantes, porque ela reúne o PSB de Ricardo Coutinho, que se posicionou contra o golpe, ficou do lado da presidente Dilma e de Lula; e reúne o PT de Lula e o PDT, que também ficaram contra o golpe”, aponta Duarte.

Esses três partidos não só votaram contra o golpe de 2016, como contra a reforma trabalhista e a PEC do teto dos gastos públicos. Duarte pondera haver nas chapas proporcionais partidos políticos que apoiaram o golpe, como PTB e DEM. “No entanto, do ponto de vista da chapa majoritária, ela tem esse viés político ideológico marcante, que nunca tinha tido na Paraíba”, destaca.

Edição: Heloisa de Sousa