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Não se pode deixar de exigir que candidatos se apresentem sem subterfúgio

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Sem um posicionamento claro os mais prejudicados serão os eleitores que poderão ser enganados e votar em algo que não defendem / Marcelo Camargo/Agência Brasil
É preciso exigir que falem a verdade e não fiquem com meias palavras

Candidatos à Presidência da República terão de se posicionar sobre as privatizações, ou seja, se pretendem ou não privatizar a Caixa Econômica, Banco do Brasil, Petrobras e outras empresas do Estado. É preciso exigir que falem a verdade e não fiquem com meias palavras. Será necessário também que se posicionem, a favor ou contra, o esquema atual de fatiar a Petrobras, dando início ao processo de privatização, como vem fazendo o atual governo golpista.

Não pode passar em brancas nuvens o posicionamento de assessores econômicos que defendem a privatização, por exemplo, da Petrobras, enquanto os candidatos propriamente ditos tentam enganar os eleitores seja com o silêncio ou com meias verdades.

Paulo Guedes, o guru econômico de Jair Bolsonaro, que é exatamente uma espécie do integralista Plínio Salgado, edição 2018, também apoiador do golpe empresarial militar de abril de 1964, que usa uma linguagem semelhante ao referido político conhecido como “galinha verde”, já deixou as coisas claras, mas Jair Bolsonaro não foi cobrado a respeito e tem preferido fugir ao tema ou até mentir, como faz o candidato que já foi governador de São Paulo.

O mesmo candidato, Geraldo Alckmin, cujo partido, o PSDB, deu início ao esquema em favor da  privatização da estatal petrolífera, no governo de Fernando Henrique Cardoso, precisa também falar a verdade sobre o tema, da mesma forma que outros candidatos que preferem tergiversar.

É mais do que necessário o posicionamento sem rodeios, pois se isso não acontecer, os mais prejudicados serão os eleitores que poderão se posicionar imaginando que o candidato tem uma determinada posição, quando na prática pode ser exatamente ao contrário.

Em outras palavras, está na hora de tornar claro quem é a favor ou contra as privatizações mencionadas, sobretudo quanto a Petrobras. Falar a verdade nesta campanha é uma necessidade e a continuar uma linguagem escamoteadora, a campanha eleitoral não será para valer e sim um exercício de enganação.

Esse mesmo raciocínio é válido para outras questões que levem a população eleitora a se posicionar de acordo com seus postulados. E se espera que isso aconteça o mais rápido possível, exatamente para evitar que eleitores não sejam enganados. Isso para não falar de promessas apresentadas a todo instante e que jamais serão cumpridas.

Espera-se que os debates entre os candidatos, sem exclusões de nenhum deles, sirva também para que a verdade não seja escondida. Nesse sentido, os responsáveis pelos debates terão papel relevante e não poderão deixar de se apresentar como responsáveis, deixando para trás posicionamentos parciais, não raramente exigidos pelos que não aparecem na condução dos próprios debates.

Edição: Jaqueline Deister