Coluna

MTD clama por direitos e fim de privilégios no Grito dos Excluídos

Imagem de perfil do Colunista
MTD foi às ruas e marchou junto às milhares de pessoas de todo o Brasil nesta 24ª edição do Grito dos Excluídos / Arquivo MTD
Nas ruas somos milhares, somos coletivos e sujeitos da nossa própria história

por Júlia Garcia*

O 7 de setembro para os movimentos populares já tem uma agenda determinada. Desde 1995, é um momento de denúncia e de muita luta por todo o Brasil, construída pelos movimentos sociais, sindicais e setores da igreja, o Grito dos Excluídos. Milhares de pessoas vão às ruas defender os direitos sociais e a transformação do Brasil em um país realmente independente, soberano.

A proposta do Grito surgiu no Brasil em 1994 com o objetivo de aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade do mesmo ano, que tinha como lema “Eras tu, Senhor”, e responder aos desafios levantados na 2ª Semana Social Brasileira, cujo tema era “Brasil, alternativas e protagonistas”. O Grito dos Excluídos foi crescendo ano a ano, envolvendo cada vez mais atores sociais, tornando-se uma manifestação popular de todas aquelas e aqueles que são comprometidos com as causas dos excluídos.

Dessa forma, a ocupação de todas as ruas nesse dia consiste em uma crítica ao discurso hegemônico da “independência” e possui um caráter de manifesto, uma reivindicação pela retomada do direito à cidade, um grito das cidades rebeldes, onde o embate se dá de forma direta; é o Desfile dos Militares x O Grito!

As cidades são expressões das relações sociais, reflexos das vidas urbanas que se misturam, cada uma a sua cultura, a sua história, sua formação social e econômica, seu povo, sua luta. É nas cidades que se concentram as energias do capital. É nelas também que se travam as arenas de disputas sobre novas formas de produção. 

Os movimentos populares urbanos são a expressão da indignação das pessoas diante do que a vida urbana representa nesse estágio do sistema capitalista. O direito à cidade representa a reivindicação da classe trabalhadora para criar, transformar, decidir sobre a produção do espaço da cidade.

O MTD foi às ruas e marchou junto às milhares de pessoas de todo o Brasil nesta 24ª edição do Grito dos Excluídos, que teve como lema: Desigualdade gera violência – basta de privilégios! Do Rio Grande do Sul ao Ceará, o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos carregou a bandeira dos direitos e trouxe à tona a desigualdade do acesso à cidade e o privilégio da vida digna, que deveria ser de todos, mas que, com as crises política e social, se aprofunda cada vez mais, exclui e marginaliza a maior parte da população.

Ocupamos as ladeiras, as periferias, os grandes centros. Fizemos trabalho de base, utilizamos as ferramentas de agitação e propaganda, gritamos por Lula Livre, em defesa da democracia, pelo fim das desigualdades, por saúde, creche, trabalho e educação, por justiça social, por direitos. 

Também gritamos com o intuito de fazer da rua o espaço da disputa, entendendo que só nela é possível dialogar com o povo, que é nas ruas que fazemos nossos sonhos de transformação serem maiores que nós mesmos, nas ruas somos milhares de brasileiras e brasileiros, somos coletivos e sujeitos da nossa própria história.

* Júlia Garcia é membro da executiva nacional do MTD.

Edição: Daniela Stefano