Coluna

Silêncio de Temer na prática estimula militares a pressionar e apavorar a nação

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O comandante do Exército Villas Bôas declarou o que declarou e nada aconteceu, porque o lesa pátria Michel Temer ficou em silêncio total / Tomaz Silva/Agência Brasil
O silêncio de Temer estimula o tipo de declaração feita por Villas Bôas

No Uruguai o presidente Tabaré Vasquez ordenou a prisão por 30 dias do comandante do Exército, Guido Manini Ríos. Motivo, o militar fez críticas ao projeto de reforma da aposentadoria militar e ainda considerou que o Ministro do Trabalho, Ernesto Murro, não estava bem informado sobre seus efeitos.

Já no Brasil, o comandante do Exército Villas Bôas declarou o que declarou, muito pior que o militar uruguaio, e nada aconteceu, porque o lesa pátria Michel Temer ficou em silêncio total. Villas Bôas foi aplaudido pelo candidato Geraldo Alckmin, o que não chega a ser uma surpresa, por se tratar de quem se trata.

Na verdade, o candidato Ciro Gomes, pelo menos até agora, foi o único a criticar Villas Bôas chegando a afirmar que se fosse no governo dele o militar perderia o cargo e poderia ser preso.

É por aí que se deve responder aos militares que seguem se considerando tutores da nação e volta e meia fazem declarações que levam o povo a temer e se preocupar.

É preciso acabar com isso e fazer com que Villas Bôas e demais militares não repitam as declarações que deixem a população brasileira preocupada. É preciso lembrar também que  abril de 1964, quando ocorreu o primeiro golpe de Estado, não pode se repetir, até mesmo guardando-se as devidas diferenças entre aquele tempo e o momento de 2018.

Na verdade, o silêncio de Temer na prática estimula o tipo de declaração feita por Villas Bôas.

Vale assinalar também que o Uruguai atravessou uma ditadura e nem por isso o presidente Tabaré Vasques, que ocupa o cargo de forma legítima, através do voto, silenciou.

No Brasil, com um Presidente ilegítimo e lesa pátria como Temer na prática se estimula os militares a se pronunciarem de forma a preocupar quem tem memória e não quer ver o país mergulhado em ainda maior retrocesso institucional que o atual.

Em suma, enquanto quem as Forças Armadas devem respeitar, ou seja, o Presidente da República, silenciar diante da pressão das declarações de Villas Bôas, o Brasil seguirá correndo riscos de maiores retrocessos institucionais.

Por isso é necessário a população brasileira ficar alerta. Até porque, se o empresariado apoiar os militares, a história poderá se repetir, mesmo como farsa.

Nesse sentido, é urgente e necessário fazer duras críticas aos militares que ainda se consideram tutores da nação. E, claro, ficar atento ao posicionamento de grupos empresariais.

Edição: Jaqueline Deister