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O comício de Juscelino Kubitschek e a intervenção de uma velhinha

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Juscelino foi presidente do Brasil de 1956 a 1960 e é famoso pelo seu slogan de governo "50 anos em 5", sobre a política econômica / Foto: reprodução
“Como presidente vou fazer muito mais”, dizia Juscelino em cima do palanque

Vêm aí as eleições presidenciais e me lembrei de uma eleição dos meus tempos de criança. Não presenciei um comício de Juscelino, que era governador de Minas Gerais e ia sair candidato a presidente. Conto o que ouvi de um sujeito que jura ter sido verdade.

O comício aconteceu na cidade de Pedralva, no Sul de Minas. E foi muito concorrido, veio gente de um monte de cidades da região. A praça estava lotada.

O prefeito, que era do PSD, o mesmo partido de Juscelino, montou um palanque na praça central, pôs a banda de música pra tocar enquanto o povo ia chegando e ficou um clima de querer ver o futuro presidente da República, pois aquele povo todo tinha certeza de que Juscelino ia ganhar.

É preciso lembrar que naquele tempo, no ano de 1955, não tinha televisão em quase nenhum lugar, e onde tinha – acho que só São Paulo e Rio de Janeiro – não havia programa eleitoral. Nem em rádio tinha isso. Para um candidato ser conhecido pelos eleitores, e apresentar suas propostas tinha que ir a eles, viajar, dar a cara nesses eventos. Então, comícios tinham uma importância enorme.

Bom… O comício começou com o prefeito falando de Juscelino, sendo sucedido por outros líderes políticos da região. Enfim chegou a vez de Juscelino discursar. Falou das obras que fez na cidade e na região, como governador… “Fiz a estrada que liga tal lugar a tal lugar, construí o hospital de não sei onde, a escola tal…” Listou todas as suas obras e concluiu: “Como presidente vou fazer muito mais”. 



Por fim, se dispôs a responder a perguntas que o público quisesse fazer. “Alguém quer me perguntar alguma coisa? Eu estou aqui pra responder”. Fez-se um silêncio no público, parecia que ninguém ia perguntar nada. Mas uma velhinha, lá no fundo da praça, levantou o braço e gritou: “Eu quero… Eu quero”.

Abriram espaço para ela chegar ao palanque, e na hora de subir a escadinha Juscelino lhe deu a mão educadamente e falou:

“Então, minha senhora… Qual é a sua pergunta”.

Ela, toda alegrinha, pegou o microfone e falou: “O que é, o que é? Que cai em pé e corre deitad…”. 

Nem terminou a pergunta. Foi puxada pelo colarinho.

Edição: Camila Salmazio