Coluna

Vamos para a virada

Imagem de perfil do Colunista
22 de Outubro de 2018 às 12:22
Na fase final da campanha, Jaime ressalta a importância do engajamento da militância nas atividades de rua / Divulgação/PT SE
Contra o ódio e a intolerância, o Brasil merece o nosso sacrifício

Não vou escrever para convencer ninguém a votar em Haddad. Em nosso meio de esquerda temos todos os argumentos para votar nele e não votar no coiso. No entanto, nunca é demais reforçar que temos apenas mais uma semana para ir pra cima e derrotar esta onda antidemocrática, conservadora, de ódio e com postura de viés fascista que tem tomado conta da campanha eleitoral em todo o Brasil. Tudo que dizemos para contestar ou explicar tem uma resposta pronta, vindo das mentiras espalhadas pelas redes sociais em especial pelo Whats App.

O que temos que fazer nesta última semana é ter iniciativa e tomar atitude para desmontar este processo feito para espalhar no seio do povo o ódio contra os que lutam e organizam o povo como movimentos, sindicatos, associações, cooperativas, igrejas progressistas, partidos políticos e lideranças que são referências para a população. Para eles, tudo o que acontece de ruim é culpa do PT, de Lula e Dilma e em contrapartida propõem abertamente a submissão total do Brasil aos interesses do capital, do império norte americano e do FMI; substituir o sistema democrático pela imposição, violência e preconceito e intolerância contra as mulheres, negros, pobres e homossexuais; continuar com as reformas golpistas para continuar retirando mais diretos dos trabalhadores, privatizando a Petrobras, vender o pré-sal, acabar com o SUS e todo o tipo de política pública que impacta nas condições de vida das camadas mais pobres da população.

O que não pode é ficar paralisado, inerte, imobilizado, “vendo a banda passar”. Não vamos ficar nos lamentando como ouvi pessoas dizendo “na  minha rua todos são do coiso”, “em uma casa tem um adesivo deles”, “na outra uma bandeira do Brasil”, “no poste um adesivo e no muro escrito  em letras grandes o número e o nome dele”.  Perguntei o que tinham feito e as respostas diziam “Nada, fico na minha”. Não dá pra ficar imobilizado! Coloque uma bandeira na porta, para que os outros moradores da rua que também estão acuados como você possam se sentir representados, pregue um adesivo no poste, vá de madrugada no muro e escreva “Agora é 13, pela democracia”, visite as famílias, especialmente as evangélicas, leve o panfleto com mensagem para os evangélicos… enfim, reaja, não espere para se lamentar dia 29. Poderá ser tarde demais.

Temos que desmanchar e combater as mentiras espalhadas. Busquem argumentos, são muitos disponíveis em nossas redes. Vamos levar o debate da democracia, do emprego, do risco da violência. Desmentir as mentiras mais frequentes espalhadas por eles. Não precisamos agora sair defendendo o PT, mas explicar os projetos que estão em disputa e o risco que o Brasil, a democracia e o povo brasileiro vão correr se eles ganharem as eleições. Precisamos disputar todos os votos, colocar dúvidas e inibir algumas. Cada um e cada uma que acredita que podemos e devemos virar e ganhar as eleições, devem fazer a sua parte.

Nós, militantes, temos que sair pra ruas e dar visibilidade para campanha com bandeiras, camisas, adesivos, praguinhas. Temos que nos identificar e mostrar a cara. As pessoas que já votam no 13 mas estão intimidadas vão se sentir fortalecidas quando verem que estamos vivos e disputando. Vamos convocar atividades diárias nas nossas ruas, nos bairros e em todas as cidades do interior do Brasil. Fazer panfletagem, distribuir material no trânsito, no comércio, nas feiras, nas escolas, universidades, fábricas, igrejas e em todos os lugares.

Vamos disputar nas redes, Facebook, Whats App e mensagem de celular. Todos nós participamos e estamos em vários grupos, então vamos passar mensagem e colocar nossa opinião.  Explicar o fascismo, do risco de combater a violência armando a população e o risco de tipificar como criminosos os movimentos sociais e sindicais. De início vão criminalizar o MST, os Sem Teto, depois quem faz grave, mais tarde os que vão se manifestar exigindo melhoria na escola, no posto de saúde, no bairro. Uma hora chega em alguém de sua família. No início vão atacar os homens e mulheres homossexuais com ódio e intolerância, depois vão atacar seu filho ou filha que pensa e vive diferente da moral e da ética da família patriarcal que eles concebem.  Mulheres separadas vão ser consideradas adúlteras. Nas favelas, vão passar a matar, com autorização do Estado, jovens e adolescentes pobres e negros por simples preconceito e intolerância, justificando que tinham aparência de bandidos. Poderá ser um familiar nosso.

Nós vamos ganhar as eleições, mas depende essencialmente de cada uma e cada um. Não adianta esperar pelas iniciativas oficiais para convocar caminhada, panfletagem, carreatas ou distribuir materiais de campanha. Cabe a cada um de nós, em nossas organizações e movimentos tomar as iniciativas, tomar a frente e sair pra campanha. Esta não é uma campanha do PT, Haddad e Manuela são candidatos de todas e todos que defendem a democracia e condenam todo o tipo de intolerância, preconceitos e ditaduras. A militância e o povo devem conduzir o Brasil a esta grande virada da vitória. Pela democracia, pela soberania nacional, pelo povo brasileiro. Contra o ódio, o preconceito e a intolerância, o Brasil merece o nosso sacrifício.

Edição: Vanessa Gonzaga