Fake News

Só porque está no aplicativo, quer dizer que é verdade?

Grupos de família e amigos podem ser os maiores difusores de boatos

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Pesquisa mostra que só 8% das imagens que circulam no zap são verdadeiras / Foto: Allan White/Fotos Públicas

Já pensou quanto tempo você gasta dando aquela conferida no Instagram, Facebook ou WhatsApp? O Instituto Statista fez essa conta e constatou:  ninguém no mundo passa mais tempo no celular do que os brasileiros. Ficamos em média 4 horas e 48 minutos por dia no celular. Na vice liderança estão os chineses, com média de 3 horas. Além de ser fonte de entretenimento, os smartphones também se tornaram um veículo de informação. 

Os professores Fabrício Benvenuto (UFMG) e Pablo Ortellado (USP) analisaram 347 grupos de WhatsApp, somando mais de 18 mil usuários, compartilhando 846 mil mensagens. Conclusão da pesquisa: grande parte do conteúdo difundido é falsa. Das imagens, só 8% são verdadeiras. Em abril, outro levantamento, feito pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, apontou que grupos de familiares e amigos são os principais responsáveis pela difusão da mentira. 

Confira algumas fofocas que fizeram a cabeça de muitos brasileiros nos últimos anos. 

Boato e linchamento 

Em 2014, a página Guarujá Alerta divulgou fotos de uma suposta sequestradora de crianças. As imagens foram compartilhadas por usuários do Facebook e Whatsapp e deixaram famílias da cidade de Guarujá (SP) em pânico. Na manhã do dia 5 de maio, Fabiane de Jesus foi identificada como a mulher da foto, enquanto conversava com uma criança. Uma multidão furiosa a amarrou, espancou e arrastou pela rua. O corpo de bombeiros encontrou a vítima com o rosto desfigurado e traumatismo craniano. Ela foi conduzida ao Hospital Santo Amaro, mas não resistiu aos ferimentos. Um dia depois, a página Guarujá Alerta publicou uma postagem afirmando que o caso dos sequestros era um boato e Fabiane era inocente. 

Atrapalhando vacinação 

Em 2017, milhares de pais e mães receberam uma falsa mensagem afirmando que o Ministério Público Federal (MPF) teria proibido a vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV). A notícia afirmava que a substância poderia deixar adolescentes “debilitados por toda a vida ou até mesmo levá-los à morte, por conter metais pesados, vírus transgênicos e conservantes, além de destruir a capacidade natural do indivíduo”. As mentiras levaram várias famílias a evitarem a vacinação. Para rebatê-las, o Ministério da Saúde criou um serviço de atendimento pelo WhatsApp.  

Fim do Bolsa Família 

Em maio de 2013, circulou pelas redes um falso aviso de que o governo Dilma acabaria com o Bolsa Família no dia 18 daquele mês. A informação levou milhares de pessoas a acorrerem às casas lotéricas e agências da Caixa Econômica Federal. Houve tumulto e autoridades tiveram que vir a público desmentir o zunzum. O então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou abertura de inquérito para apurar a origem da “notícia”. 

O campus que virou fazenda

Se existisse um ranking das fofocas de Whatsapp, possivelmente, a história da “fazenda do Lulinha” ocuparia os primeiros lugares. A partir de 2013, alega-se que Fábio Silva, filho do ex-presidente Lula, teria comprado uma enorme propriedade rural por R$ 47 milhões, na região de Araçatuba (SP). A mensagem era acompanhada da foto de um grande imóvel, a suposta “mansão do Lulinha”.  Na verdade, o edifício era a sede da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba (SP). 

 

Edição: Joana Tavares