Cultura

Diretor de teatro Milo Rau se manifesta contra Bolsonaro

Referência internacional, suíço assinou texto e conjunto com a dramaturga Eva-Maria Bertschy e com o ensaísta Raul Zelik

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Milo Rau é um diretor de teatro suíço reconhecido em todo o mundo por seu talento e preocupação social / Boris Horbat / AFP

O diretor de teatro suíço Milo Rau escreveu uma carta se posicionando contra o candidato da extrema direita Jair Bolsonaro (PSL). O texto, assinado em conjunto com a dramaturga Eva-Maria Bertschy e o ensaísta Raul Zelik, aponta que a eleição do candidato seria uma “catástrofe para o Brasil”. 

Antonio Araujo, diretor artístico do Teatro da Vertigem e da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, afirma que Milo Rau é um dos principais diretores do teatro internacional e desenvolve um trabalho preocupado com questões políticas e sociais.

Araujo também comenta que manifestações como essa são importantes para que os discursos de Bolsonaro repercutam fora do país. “As pessoas do teatro e da dança estão muito mobilizadas. Estamos indo às ruas, conversando com as pessoas, e essa carta dele [Milo Rau] ajuda nessa rede de fortalecimento e também na repercussão internacional", disse. 

Confira o texto na íntegra

"A eleição do candidato de direita Jair Bolsonaro no dia 28 de outubro seria uma catástrofe para o Brasil e um mau sinal para o mundo inteiro. Bolsonaro é o candidato do desprezo e das notícias falsas. Ele ameaçou mulheres de estupro, quer reeducar homossexuais e glorifica a tortura da ditadura militar dos anos 1970. Mas ele é, antes de tudo, um candidato que quer deixar os moradores das periferias sem defesa e desmantelar os sindicatos assim como as organizações camponesas de defesa dos direitos humanos. Bolsonaro quer reduzir os salários, abolir a aposentadoria pública e vender ainda mais terras às empresas agrícolas. Seu programa é uma mistura vulgar de política econômica neoliberal e de propaganda de direita. Não é por acaso que os extremistas de direita e os racistas na Europa celebraram entusiasmados a vitória de Bolsonaro no primeiro turno das eleições. 

Podemos nos interrogar sobre em que medida as aquisições democráticas do último século permitiram minimizar as desigualdades sociais mundiais e os conflitos que impediram os danos ambientais e as dramáticas mudanças climáticas. Mas a resposta a tudo isso só pode ser uma: ainda mais democracia para todos e em todos os lugares! Hoje, os salvadores autoproclamados desse mundo não podem mais declarar, mesmo antes das eleições, que eles respeitam as regras democráticas. Bolsonaro representa os interesses dos grandes proprietários de terra, das sociedades financeiras, dos ricos, dos homens, dos brancos, dos fabricantes de pesticidas e da indústria animal. Ele quer restringir ainda mais os direitos dos pequenos agricultores, dos trabalhadores agrícolas, dos homossexuais, dos sem teto, das mulheres, dos negros, dos indígenas e de todas as outras minorias, mas também dos animais, das plantas e de todos os atores não humanos que são importantes para a sobrevivência da espécie humana. As pessoas que votam em Bolsonaro creem que a ordem desigual desse mundo tem sua justificativa, quer eles se beneficiem dela ou não.  

Nós pedimos aos brasileiros para se oporem à política de ódio e ignorância e votarem por um mundo mais justo e pela a sobrevivência da humanidade. Bolsonaro não! Solidariedade e direitos sociais em lugar de repressão".

 

Edição: Daniel Giovanaz