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Três poderes no Brasil: eles podem, mas só fazem se quiserem

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Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), reúne as sedes nacionais do Executivo, do Legislativo e do Judiciário / Tony Winston/Agência Brasília
Estamos no mato sem cachorro

Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário: estão aí as raízes do mal, andei pensando.

Pensem comigo sobre a palavra “poder” nesse contexto:

O Poder Legislativo tem o poder de legislar. Quer dizer, ele “pode” legislar. O Poder Executivo, assim, “pode” executar. E Poder Judiciário “pode” fazer Justiça.

Ou seja: eles podem, mas só fazem se quiserem.

O Poder Legislativo “pode”, mas não legisla. 

A gente vê o que acontece no Legislativo e nota que deputados e senadores mais parecem delegados de polícia e juízes, passam a maior parte do tempo investigando crimes e mutretas. 

Fazem interrogatórios e julgam o tempo todo. Legislar fica para um segundo plano.

Um político pego com a mão na massa pode ser investigado e julgado pelo próprio Legislativo. 

Às vezes ele é perdoado porque os seus parceiros fazem a mesma coisa, às vezes é substituído por outro igualmente suspeito.

Bom, assim como no Legislativo, o Executivo “pode” executar as coisas que deve, mas se não quiser, não executa, pois ele apenas “pode”. 

E também o Judiciário “pode” fazer Justiça, mas pra começar, tem o sintomático “pode”, que significaria fazer isso se quiser. 

Tanto que a gente vê a Justiça faz o que pode contra uns e não faz nada contra outros.

E fora isso, tem o seguinte: as leis que o Judiciário usa são feitas por quem? São justas?

Quá quá quá!

Para começar, tem aquele velho ditado: “Lei, ora lei”. E tem aquela máxima também: “Para os amigos, tudo. Para os inimigos, a lei”.

Como mudar tudo isso?

De início, pensei que deveríamos substituir a palavra Poder por Dever Legislativo, Dever Executivo e Dever Judiciário.

O Legislativo “deve” legislar, o Executivo “deve” executar e o Judiciário “deve” fazer Justiça.

Mas o problema não seria solucionado: quantos políticos e juízes fazem o que “devem”?

Mais outra proposta: nem “Poder” nem “Dever”, e sim “têm obrigação”.

Assim, em vez de Poder Legislativo etc., teríamos o “Tem Obrigação Legislativo”, o “Tem Obrigação Executivo” e o “Tem Obrigação Judiciário”. 

O Legislativo “Tem Obrigação” de legislar. O Executivo “Tem Obrigação de Executar” e o Judiciário “Tem Obrigação” de fazer justiça.

Mas… Esse pessoal cumpre a obrigação?

Estamos no mato sem cachorro.

Edição: Beatriz Pasqualino